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Fila do INSS cai em março para abaixo de 3 milhões – 17/03/2026 – Economia

by Silas Câmara

O presidente do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), Gilberto Waller Junior, fala em uma redução da fila de pedidos de benefício ao patamar de 1,3 milhão de requerimentos até o fim do ano.

Depois de bater o recorde de 3,126 milhões em fevereiro, Waller Júnior antecipou à Folha que o estoque da fila caiu em março para 2,985 milhões com a análise de pedidos batendo recorde num único mês e o estoque voltando a ficar abaixo de 3 milhões em todo o país.

Foi uma queda de 141 mil que interrompeu uma sequência de altas desde julho do ano passado. Nos últimos três meses (dezembro, janeiro e fevereiro), o estoque ficou acima de 3 milhões.

O chefe do INSS disse que vai buscar investimentos para acelerar o processo de redução da fila no primeiro semestre para levar o estoque a “números mais aceitáveis”. De acordo com ele, a redução ocorreu mesmo diante de episódios de instabilidade nos sistemas.

Waller Júnior afirmou que vai propor ao governo a prorrogação até dezembro do pagamento do bônus extraordinário aos servidores para agilizar a fila.

“A ideia é que possa chegar a trabalhar no mês com o estoque dentro do prazo legal de 45 dias para zerar os processos acima disso”, disse. “Esse é o plano de ação. Mas se a gente conseguir um investimento maior podemos chegar até julho em números mais aceitáveis.”

Para ele, o desejável é trabalhar ao longo do mês todos os processos que entrem no sistema no período —um volume em torno de 1,3 milhão. O dirigente do INSS negou que o governo tenha segurado a concessão de benefícios, no segundo semestre de 2025, para ajudar a reduzir o déficit das contas públicas no ano passado.

Em janeiro de 2024, a fila estava em torno de 1,570 milhão de requerimentos, fechando aquele ano em 2,04 milhões. Mas o fluxo de análise escalou nos últimos meses de 2025 e início de 2026, o que gerou cobranças do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“A redução da fila é prioridade número 1 [do governo]. Não se pensa em redução de custos com redução de direitos”, disse. “No governo nunca se pensou em bloqueio de direitos para poder fazer economia. Isso é uma coisa impensável”.

O dirigente do INSS rechaçou avaliações de que o órgão tenha recebido orientação da área econômica para diminuir o ritmo de concessões. Acelerar a fila significa maiores gastos com o pagamento de benefícios no curto prazo, mas por outro lado o governo evita custos adicionais dos retroativos, corrigidos pela Selic, que terão de ser desembolsados quando o segurado do INSS passa a receber o benefício a que tem direito.

O INSS está sob pressão dentro e fora do governo para reduzir a fila em ano eleitoral para evitar desgastes do presidente Lula na campanha em que vai buscar a reeleição para o seu quarto mandato na Presidência da República. É a primeira vez neste ano que o governo divulga os dados da fila, que em 2025 fechou em 3,039 milhões de pedidos represados.

“Temos uma média de 60% de concessão [sobre o total de requisições feitas]. E isso tem um impacto financeiro que a gente vai pedindo um complemento orçamentário. Mas no governo nunca se pensou em bloqueio de direitos para poder fazer economia. Isso é uma coisa impensável”, afirmou.

Nesta semana, o INSS envia aos ministérios do Planejamento e Fazenda as novas previsões de despesas já prevendo a aceleração do pagamento dos benefícios. As novas previsões vão subsidiar o primeiro relatório bimestral de avaliação de despesas e receita do Orçamento, a ser divulgado no próximo dia 24.

Como mostrou a Folha, a estratégia fiscal do Ministério da Fazenda para o Orçamento do último ano do governo Lula 3 é fazer uma poupança agora para administrar pressões de alta de despesas obrigatórias advindas do programa de redução da fila do INSS até o fim de 2026.

A orientação dada pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, à equipe é antecipar um bloqueio mais duro de despesas no primeiro relatório de avaliação de receitas e despesas do Orçamento de 2026 para sinalizar um gerenciamento realista das contas do governo federal neste ano.

Em meados de janeiro, o INSS publicou uma portaria que retoma o programa de bônus extraordinários pagos a servidores e outras medidas para tentar reduzir a fila de análise de benefícios.

A nova versão do PGB (Programa de Gerenciamento de Benefícios) cria uma fila nacional de análise para benefícios como aposentadorias, auxílios-doença e de reavaliação da renda do BPC (Benefício de Prestação Continuada) —pago a idosos a partir de 65 anos e pessoas com deficiência de baixa renda.

As análises deixarão de ser regionais e servidores de regiões com menor demanda poderão atuar nos processos de áreas onde a espera é maior. O funcionário que fizer o atendimento extra pode ganhar até R$ 17,7 mil a mais no mês. São pagos R$ 68 extra por tarefa.

Entre as medidas adotadas, está a atuação de grupos de trabalho especializados, responsáveis pela análise de 65 mil benefícios em 2026 e a realização de mutirões de análise, além da antecipação de perícias médicas do Ministério da Previdência Social.

O represamento de pedidos é maior para o benefício de incapacidade temporária (auxílio-doença). Fora esses benefícios, o INSS atingiu um índice de absorção da demanda de 108,57%. Isso significa que o órgão concluiu mais processos do que o volume de novos protocolos recebidos no período.

O presidente do INSS disse que esse desempenho marcou a maior quantidade de processos concluídos dos últimos 18 meses, com a entrega de 674.195 requerimentos. Além disso, houve redução no tempo de espera para o início e para a conclusão das análises.

Para Waller Júnior, a descentralização por meio da fila nacional e a atuação dos grupos de trabalho darão maior fluidez ao represamento histórico.

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