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Filme quer convencer que ‘Harry Potter’ merece nova chance – 05/04/2026 – Ilustrada

by Silas Câmara

Talvez a HBO tenha se preocupado com a recepção mista do trailer da série de “Harry Potter“, que embora tenha batido recorde de visualizações, reacendeu nas redes a discussão sobre boicote à saga por causa das polêmicas da autora J.K. Rowling, acusada de transfobia.

Para mudar o foco do debate, a empresa correu para anunciar um documentário, lançado neste domingo de Páscoa, quando as mentes e os corações costumam estar mais adoçados.

Afinal, muita gente vem se declarando contra a ideia de ver a nova adaptação de “Harry Potter”. A justificativa é que isso enriqueceria ainda mais Rowling, que vem usando influência e dinheiro para apoiar políticas antitrans no Reino Unido.

O que a HBO tenta fazer em “À Procura de Harry: A Arte por Trás da Magia” é abafar toda a polêmica com nostalgia. Dividido em capítulos, o filme fala, por exemplo, sobre os animatrônicos que serão as criaturas animalescas da série, como corujas e ratos, explica como serão os looks dos bruxos e dos trouxas —quem não tem magia no sangue—, e exibe cenários que vão compor o novo castelo de Hogwarts.

O documentário nunca cita as polêmicas de J.K. Rowling, é claro. Pelo contrário —os livros são exaltados nas entrevistas com a equipe, que vem à frente da câmera para relatar histórias fofas sobre a paixão pelos romances.

Uma funcionária diz, por exemplo, que passou a infância querendo trocar os uniformes da escola pelos de Hogwarts. Outra, do departamento de figurinos, diz que os livros a lembram de momentos com o filho.

Relembrem por que “Harry Potter” foi tão importante para vocês, é como se o documentário quisesse dizer ao público que assiste, enquanto passam imagens que tentam derreter a amargura dos mais contrariados.

São versões reformadas dos símbolos que os filmes consagraram entre 2001 e 2011. Há a placa da rua dos Alfeneiros, número quatro, onde Potter cresce sob os cuidados dos seus tios maldosos; a fachada do banco Gringotes, de onde um dragão escapa em “Relíquias da Morte: Parte 2”; os saudosos sapos de chocolate, agora verdes, mas também guardados numa caixinha, como os de “A Pedra Filosofal”.

É um estranho déjà vu, e Mara LePere-Schloop, a designer de produção, não esconde isso. “Os elementos vistos são coisas que reconhecemos, mas a combinação deles será algo surpreendente”, defende ela, como se soubesse que o espectador está pensando que já viu tudo aquilo antes.

Não é que não haja novidades. Mudaram as embalagens dos feijõezinhos de todos os sabores, o recipiente da cerveja amanteigada, o formato da serpente da casa Sonserina, agora mais fina.

Mas predomina um senso de repetição. A estufa de herbologia, mostrada rapidamente, lembra muito a dos filmes, e os uniformes dos estudantes, embora com detalhes inéditos, seguem o modelo dos que já conhecemos. O Salão Principal, onde são servidas as refeições de Hogwarts, parece o mesmo de antes.

LePere-Schloop, a designer, se regozija com a ideia de remodelar cenários tão gravados no imaginário dos fãs. Sem citar os filmes, a profissional diz que sua intenção é expandir a sensação de surpresa e encantamento que o público sentiu ao ler os livros pela primeira vez —ignorando que boa parte só conhece a história por meio das telas.

O documentário se sai melhor quando conta como os diretores de elenco escolheram os três atores protagonistas. O novo Harry Potter, Dominic McLaughlin, por exemplo, encantou a equipe com seu olhar ora sonhador, ora melancólico, uma marca do personagem nos livros.

Já Alastair Stout, o próximo Rony Weasley, fisgou o papel depois de contar algo divertido para a câmera— humor é essencial nesse personagem, usado para quebrar a tensão crescente da história.

Arabella Staunton foi escolhida para fazer Hermione Granger depois de declamar um poema. A mais experiente do trio, ela já fez Matilda —protagonista do filme infantil dos anos 1990— no musical levado aos palcos de Londres. A julgar pelo seu tom professoral mas carismático, é a escalação mais certeira entre eles.

A expectativa é que o primeiro livro da saga, “A Pedra Filosofal”, seja destrinchado em oito capítulos na série de TV. Se cada um tiver quase uma hora, como costuma ser nas grandes produções da HBO, o resultado seria uma adaptação cinco horas e meia maior que o filme. Verdade seja dita —esse já fora o sonho de todo fã.

Por isso, a expectativa é que a obra se torne um megasucesso, e devolva à televisão a audiência dos tempos de “Game of Thrones”. O ponto é que, para encobrir toda a polêmica, será preciso, talvez, uns outros passes de mágica.

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