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Fim da escala 6×1 é tendência mundial, diz Alckmin – 13/04/2026 – Economia

by Silas Câmara

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) defendeu o fim da escala 6×1 e disse que a redução da jornada de trabalho é uma tendência mundial frente aos avanços da tecnologia. Alckmin apontou ainda necessidades de ajustes na Previdência.

As afirmações foram feitas em discurso voltado ao movimento sindical e a lideranças trabalhistas, na sede da UGT (União Geral dos Trabalhadores) em São Paulo nesta segunda-feira (13). “Com tecnologia, você faz mais com menos gente, então cada vez você produz mais com menos trabalhadores, é uma tendência mundial da redução de jornada”, disse.

Para ele, os avanços tecnológicos permitem que a jornada diminua após quase 40 anos da última redução no Brasil, citando a Constituição de 1988, quando a jornada caiu de 48 para 44 horas semanais. Alckmin pontuou ainda que há diferenças entre os setores produtivos e que essas necessidades precisam ser consideradas.

O vice-presidente disse que a votação do projeto na Câmara dos Deputados para reduzir a jornada pode ocorrer nesta semana. Para ele, a redução é uma tendência mundial.

“Se nós podemos fazer mais com menos gente, as fábricas produzem mais com menos gente, o campo produz mais com menos gente, é óbvio que você vai ter uma jornada um pouco menor”, reforçou.

O vice-presidente relatou que tem sido abordado por trabalhadores com esse tipo de demanda. “Parei para fazer um lanchinho na rodovia, na Carvalho Pinto, e a hora que a mocinha veio me servir ela disse que não quer trabalhar seis dias por semana. ‘Eu sou mãe, eu tenho família, eu tenho tarefas domésticas. Eu posso vir sábado, posso vir domingo, mas eu queria que a jornada fosse de cinco dias'”, contou.

Em seu discurso, tratou também de possíveis ajustes na Previdência, justificando a necessidade de ajustes atuariais, que levam em conta a expectativa de vida da população, que está vivendo mais. Ao ser abordado depois, afirmou que, no diz respeito ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) o principal já teria sido feito.

Segundo o vice-presidente, o aumento da expectativa de vida dos brasileiros seria um fator que exige revisão dos cálculos atuariais do sistema. Ele apresentou dados que indicam que brasileiros que atingem idades mais avançadas tendem a viver significativamente mais, o que impacta diretamente a sustentabilidade previdenciária.

Alckmin criticou desigualdades entre regimes de aposentadoria, apontando diferenças expressivas entre os benefícios pagos pelo INSS, cuja maioria gira em torno de um salário mínimo, e aposentadorias mais elevadas no setor público.

Segundo ele, o ajuste fiscal necessário não deve recair sobre os trabalhadores de menor renda, mas sim combater privilégios e distorções no topo do sistema.O vice-presidente também defendeu maior justiça tributária como forma de equilibrar as contas públicas sem penalizar os mais pobres.

Ele destacou medidas recentes que ampliam a faixa de isenção do Imposto de Renda e disse que a reforma tributária via trazer mais justiça social quando a sociedade começar a sentir seus efeitos. Reforçou ainda a necessidade de tributar proporcionalmente os mais ricos, mantendo responsabilidade fiscal.

O presidente da UGT, Ricardo Patah, afirmou ser “garoto propaganda do fim da escala 6×1”. Ele também é presidente do Sindicato dos Comerciários de SP. Para o sindicalista, os trabalhadores querem continuar produzindo, mas também desejam mais tempo para viver, conviver com a família e cuidar da própria saúde.

Segundo ele, a decisão sobre a jornada deve envolver toda a sociedade, como escolha entre um país “de castas” ou mais inclusivo. Patah também criticou o espaço predominante dado a setores empresariais no debate público.

Na abertura do evento, lideranças sindicais reforçaram a importância da organização e da mobilização, fizeram críticas ao Congresso Nacional e disseram que, em um eventual quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), vão cobrar alguma medida efetiva para o sustento do sindicatos após a fim da contribuição obrigatória na reforma trabalhista de 2017.

Roberto de Santiago, presidente da Femcaco (Federação dos Trabalhadores em Serviços, Asseio e Conservação Ambiental de SP), afirmou que há necessidade de ir às ruas para defender o governo, mas também é preciso cobrar a igualdade nas regras de contribuição entre trabalhadores e empregadores.

Enilson Simões de Moura, o Alemão, vice-presidente executivo da UGT, afirmou que o cenário político atual é mais desafiador, com presença de setores conservadores no Congresso, e avaliou que a próxima eleição exigirá maior esforço das centrais sindicais.

Rejane Soldani Sobreiro, presidente do Sigmuc (Sindicato da Guarda Municipal de Curitiba), também deu destaque ao fim da escala 6×1, relacionando a pauta à mudança de mentalidade dos trabalhadores após a pandemia. Segundo ela, cresceu a percepção de que o trabalho consome o tempo de vida, o que reforça a luta por jornadas mais equilibradas.

O evento reuniu representantes de diversas categorias profissionais, como comerciários, bancários, agentes comunitários de saúde, taxistas, eletricitários, bibliotecários, ferroviários, trabalhadores da saúde, economistas, construção civil, motoristas, trabalhadores de cargas próprias, integrantes de centrais sindicais, cooperativas, setor hoteleiro, sindicatos estaduais da UGT, coletores, instaladores de TV e internet, trabalhadores dos Correios e padeiros, entre outros.

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