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Fracasso do trem-bala é lembrado por Lula após 3 Copas – 04/04/2026 – Sobre Trilhos

by Silas Câmara

Quando o Brasil foi anunciado pela Fifa em 2007 como país-sede da Copa de 2014, obras e mais obras de mobilidade foram prometidas nos anos seguintes por governos municipais, estaduais e federal, mas muitas delas nunca saíram do papel.

Duas das obras mais emblemáticas e polêmicas previstas foram o trem-bala entre São Paulo e Rio de Janeiro, as duas cidades mais populosas do país, e o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) de Cuiabá. Enquanto a segunda promessa foi transformada num corredor expresso de ônibus, a primeira e mais cara não teve construído um metro de trilho sequer, e foi lembrada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na última semana.

O governo federal anunciou, no mesmo ano da escolha do Brasil como sede da Copa, que lançaria um edital para construir um trem-bala entre São Paulo e Rio de Janeiro, que faria o trajeto de 403 quilômetros em 85 minutos.

Como comparação, o TIC (Trem Intercidades), com previsão de inauguração em 2031, pretende percorrer os 101 km entre São Paulo e Campinas em 64 minutos.

A Copa marcaria a inauguração desse sistema de alta velocidade, que com o passar do tempo já tinha Campinas como ponto inicial e estações planejadas em São José dos Campos e Volta Redonda, com trajeto ampliado para 511 quilômetros. Mas, passados 12 anos do prazo inicialmente previsto para a inauguração, o projeto virou uma espécie de lenda no meio ferroviário.

Passaram-se outras duas Copas e, próximo do início do mundial na América do Norte —Estados Unidos, Canadá e México—, coube ao presidente Lula trazer de volta o tema ao participar da apresentação da fábrica de trens da chinesa CRRC em Araraquara (a 273 km de São Paulo). Foi em seu segundo mandato (2007-2010) que os estudos do trem-bala foram anunciados.

Lula afirmou que, quando ele era presidente e Dilma Rousseff era ministra-chefe da Casa Civil, começaram a pensar no projeto de construir o trem de alta velocidade entre São Paulo e Rio de Janeiro e que sonharam com obras similares entre a capital e Belo Horizonte e Curitiba, mas que o custo inviabilizou a ideia inicial.

“Os projetos naquele momento eram muito caros, tinha muita serra e muito túnel que tinha que fazer, parece que para o Rio de Janeiro eram 17 túneis que nós tínhamos que fazer. E para Belo Horizonte também, a gente terminou não fazendo”, afirmou.

A CRRC construirá em Araraquara, a partir do segundo semestre, os 40 novos trens que atenderão o metrô de São Paulo, com previsão de entrega gradual a partir do ano que vem. A estimativa é que todos os novos trens da CRRC estejam prontos para operação em 2030.

“Mas agora com esse projeto, desse trem de média velocidade, porque vai de 95 km/h a um pico de 150 km/h, é importante aqui em São Paulo. E é por isso que quando o Aloizio Mercadante [presidente do BNDES] me falou do projeto e da necessidade de o BNDES financiar, eu disse que a gente tem que financiar […] Não fico pensando de que partido é o governador, eu fico pensando se o povo precisa ou não daquele projeto. E se o povo precisa, nós temos que fazer as coisas”, disse.

Foram assinados no evento contratos de financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) com o governo paulista que somam R$ 5,6 bilhões —R$ 3,2 bilhões para o Trem Intercidades, entre São Paulo e Campinas, e R$ 2,4 bilhões para a expansão da Linha 2 do metrô da capital.

No discurso, o presidente criticou a ausência do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Procurado, o governador não comentou.

Se o tão falado trem-bala não chegou a sair do papel, no caso do VLT mato-grossense o governo estadual deu a situação como resolvida em 2020, quando optou por abandonar o modal e transformar o sistema em BRT (ônibus de alta velocidade).

A obra descartada custou mais de R$ 1 bilhão, incluindo os 40 conjuntos de trens. O sistema ligaria a capital à cidade vizinha de Várzea Grande e seis quilômetros de trilhos chegaram a ser instalados, assim como cabos elétricos e catenárias que ficaram sem uso, pois a obra nunca foi inaugurada.

Os trens foram negociados por Mato Grosso com a Bahia, para a implantação do VLT em Salvador. Em 2024, os governos selaram acordo para a transferência dos trens, negociação que foi aprovada pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado) da Bahia.

Mato Grosso deverá receber R$ 793,7 milhões pelos trens em quatro parcelas anuais, dinheiro que, conforme o governo, será utilizado para terminar a obra do BRT e comprar os veículos para a operação do sistema.

DE NOVO, O TREM-BALA

Em 2023, acionistas da TAV Brasil assinaram contrato de autorização com a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) para a construção de uma linha ferroviária de alta velocidade ligando as duas capitais.

O pedido de autorização tinha sido aprovado pela agência em meados de fevereiro. O modelo de autorização, instaurado pelo governo Jair Bolsonaro (PL), tem o objetivo de agilizar investimentos no setor, dando ao setor privado a possibilidade de propor novos trechos —antes, o governo federal licitava as obras no modelo de concessão.


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