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França: Projeto que suprime 1º de Maio revolta sindicatos – 10/04/2026 – Economia

by Silas Câmara

Os sindicatos e os partidos de esquerda da França atacaram nesta sexta-feira (10) a proposta de autorizar funcionários, especialmente em comércios de bairro, a trabalhar no feriado de 1º de Maio, símbolo da luta sindical no país.

A legislação trabalhista estabelece que “o 1º de maio é dia festivo e não trabalhado”, embora preveja que padeiros ou floristas, por exemplo, possam abrir nesse dia, desde que sem seus funcionários, sob pena de multas de até 1.500 euros (R$ 8,7 mil).

Os legisladores de centro e direita, com o apoio do governo, buscam mudar a lei para que funcionários trabalhem nesse dia em comércios de bairro e espaços culturais, desde que escolham de forma “voluntária”. A proposta prevê que os trabalhadores receberiam o dobro do salário referente ao dia.

“Não queremos mexer na conquista do 1º de Maio”, mas “dar segurança ao marco existente”, garantiu esta semana o ministro do Trabalho, Jean-Pierre Farandou, que anunciou o objetivo de aplicar a mudança, se aprovada, já a partir deste ano.

Para os sindicatos, a lei permitiria que pelo menos 1,4 milhão de funcionários trabalhem no 1º de Maio. Os contrários à proposta também argumentam que não será respeitada a questão da escolha voluntária, já que os funcionários se sentirão obrigados a trabalhar.

A proposta de lei já foi aprovada no Senado. Nesta sexta, em meio a polêmicas, o projeto superou uma nova etapa na Assembleia Nacional.

Diante da possibilidade de que não chegasse a ser votada por causa das 140 emendas apresentadas, os partidários da mudança decidiram de forma tática rejeitar sua lei sem debate para assim acelerar o trâmite parlamentar visando sua aprovação antes do final do mês.

“É uma facada nas costas de milhões de trabalhadores e trabalhadoras”, denunciou a líder do sindicato CGT, Sophie Binet.

O tradicional feriado nasceu em 1886 quando trabalhadores de Chicago organizaram uma greve, em 1º de Maio, reivindicando uma jornada de trabalho de oito horas diárias, que estavam em discussão há décadas mas não havia sido implementada. A manifestação foi reprimida com violência policial, levando à morte de manifestantes.

Foi justamente na França, em 1919, que o 1º de Maio passou a ser Dia do Trabalho, com foco na reivindicação de uma divisão tripartite das 24 horas diárias, sendo oito destinadas ao trabalho, oito ao descanso e oito horas a lazer, família, convívio social, educação e o cuidado de si.

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