Home » Galípolo: Brasil está melhor que pares emergentes – 30/03/2026 – Economia

Galípolo: Brasil está melhor que pares emergentes – 30/03/2026 – Economia

by Silas Câmara

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse nesta segunda-feira (30) que o Brasil está em uma posição melhor em termos fiscais e de endividamento do que economias similares para lidar com os impactos causados pela guerra no Oriente Médio.

“Todo mundo preferiria estar numa situação sem ter todos esses potenciais riscos e choques que o mundo vem sofrendo nos últimos anos, mas o Brasil parece estar numa posição relativamente mais favorável em comparação a seus pares”, disse em evento do Banco Safra em São Paulo.

Entre os temas abordados, Galípolo falou sobre o cenário de endividamento global que, segundo ele, foi exacerbado pela pandemia de Covid-19.

Para o presidente da autoridade monetária, embora os países mais ricos tenham gasto mais que os emergentes durante o período, o aumento no custo de rolagem de dívidas pressionou mais as economias em desenvolvimento.

Ao abordar o cenário do crédito corporativo, no contexto dos pedidos de recuperação extrajudicial de Raízen e GPA, o presidente do BC disse que as dificuldades atuais do setor não são causadas por um fator isolado, mas uma combinação de falhas de governança, questões estruturais e o impacto do ciclo de juros.

Hoje, a taxa de juros básica do Brasil, a Selic, está em 14,75% ao ano após decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) no dia 18 de cortar 0,25 ponto percentual. Foi a primeira queda sob a gestão de Gabriel Galípolo, em um contexto marcado pelas incertezas sobre o conflito no Irã.

“A pergunta essencial é: o paciente estaria melhor com ou sem o tratamento? Como estaríamos diante de um choque de oferta se a inflação não estivesse onde está? Quando olhamos para os efeitos da política monetária, ela gera restrições no acesso ao crédito, porém o que vemos é um efeito comportado diante do nível de restrição que temos”.

Galípolo também destacou a urgência do debate sobre a produtividade no Brasil e pontuou o tema como central para o desenvolvimento do país.

Segundo Galípolo, o modelo de crescimento brasileiro tem se sustentado pelo estímulo à demanda, impulsionado pela expansão do crédito e por ganhos reais de remuneração acima da produtividade, em vez de avanços estruturais na eficiência produtiva.

“É muito importante pensar em quais políticas podem transformar o país de maneira mais atrativa para receber investimentos locais, privados e externos que consequentemente vão melhorar a atividade”, disse.

Autor Original

You may also like

Leave a Comment