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Governo de MG censura exposição com imagens de homens nus – 30/03/2026 – Ilustrada

by Silas Câmara

A exposição “Habeas Corpus”, do artista Élcio Miazaki, estava em plena montagem na Galeria Nello Nuno, da Faop (Fundação de Arte de Ouro Preto), quando um ofício da então secretária estadual de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Bárbara Botega, determinou a suspensão temporária da mostra para “uma análise em relação ao atendimento de critérios legais vinculados à administração pública”.

No ofício, do dia 25 deste mês, Botega afirma, sem detalhes, que é preciso assegurar o cumprimento da legislação de acordo com “os limites aplicáveis ao interesse coletivo”.

A decisão foi um dos últimos atos dela no cargo. Botega deixou a pasta para disputar a eleição para deputada federal pelo Partido Novo, o mesmo do ex-governador Romeu Zema, que é pré-candidato à Presidência da República e renunciou no dia 22.

A abertura de “Habeas Corpus” estava marcada para sexta-feira (27), com fotos e vídeos que abordam a nudez e o corpo masculino no contexto da ditadura militar. Com a curadoria de Wagner Luiz Nardy, a mostra individual reuniria trabalhos recentes de Miazaki com outros mais antigos do artista de São Paulo, onde se formou em arquitetura pela USP.

“Curiosamente, minha produção, que muitas vezes aborda os silêncios, teve um processo de silenciamento. Enfim, diante de tudo isso ainda pude enxergar que exposições correm o risco de ter seus ciclos interrompidos, mas as obras continuam existindo”, reagiu.

Em um vídeo publicado nas redes sociais, a ex-secretária afirmou que “cautela e canja de galinha nunca fizeram mal a ninguém”. Ela negou ter praticado censura contra a exposição que já havia sido aprovada pela Faop e alegou ter adotado uma postura de responsabilidade em relação ao espaço público.

Botega divulgou fotos que fariam parte da exposição e mostram homens nus. A mostra seria aberta para um público maior de 14 anos. A postagem da ex-secretária, que reproduz os nus com tarjas, recebeu o selo de “conteúdo sensível” no Instagram.

“Acho mais do que ponderado a gente entender todo o conceito, todo o contexto, antes de tomar decisões mais abruptas. A opção foi pela suspensão temporária para a gente entender o que pode e o que não pode ser feito dentro da lei”, argumentou.

Segundo Wirley Rodrigues Reis, o Têko, presidente da Faop até a semana passada, a exposição foi aprovada pelas instâncias competentes em um processo técnico e institucional. Ele também renunciou ao cargo para disputar as próximas eleições, como candidato a deputado estadual pelo Avante.

Têko disse não ter identificado nenhuma ilegalidade na mostra. “É importante afirmar com clareza que a exposição não apresenta ato sexual. O que está em cena é o corpo como linguagem artística, como elaboração simbólica e como campo de reflexão estética e crítica”, disse. “A nudez, nesse contexto, não pode ser confundida com sexualidade explícita”.

O ex-presidente lembrou ainda que a nudez faz parte da história da arte em diferentes tempos, suportes e tradições visuais, como a pintura, a escultura e a performance. É uma representatividade da condição humana, da fragilidade, da dor, da memória e da liberdade.

“No caso de ‘Habeas Corpus’, o conjunto das obras evidencia uma pesquisa consistente sobre vulnerabilidade, masculinidade, repressão, silêncio e violência simbólica. Trata-se de uma exposição de natureza estética e conceitual, e não de afronta à legalidade”, completou.

A Secretaria de Cultura voltou a ser liderada por Leônidas Oliveira, que esteve à frente da pasta entre 2020 e setembro de 2025.

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