Home » GPA tranquiliza fornecedores sobre risco de calote – 03/03/2026 – Economia

GPA tranquiliza fornecedores sobre risco de calote – 03/03/2026 – Economia

by Silas Câmara

O GPA (Grupo Pão de Açúcar) enviou uma carta aos seus fornecedores nesta terça (3) com o objetivo de acalmá-los em relação à situação da empresa. O varejista afirmou que as dívidas que serão renegociadas são as com os credores financeiros, ou seja, com os bancos, e não com as empresas parceiras.

O grupo procurou deixar claro que as obrigações com fornecedores continuam sendo cumpridas regularmente, e que nada mudou do ponto de vista operacional. Com isso, tenta evitar o pânico de um possível calote, que, em última instância, poderia levar ao desabastecimento da rede.

A ação do GPA terminou esta terça-feira (3) em queda de 17,77%, cotada a R$ 2,59.

A informação foi publicada primeiro pelo Valor e confirmada pela reportagem.

A comunicação vem no dia seguinte ao rebaixamento da nota de risco do GPA pela agência Fitch Ratings, de ‘A’ para ‘CCC’. A nova classificação indica capacidade muito fraca de pagamento e um risco substancial de crédito, ou seja, de calote.

Em comunicado, a Fitch afirmou que o “rebaixamento reflete os maiores riscos de refinanciamento da CBD [Companhia Brasileira de Distribuição, a razão social do GPA], o enfraquecimento em sua liquidez, assim como a expectativa de que os fluxos de caixa livre (FCF) se manterão negativos a médio prazo na ausência de uma redução material em seu endividamento”. Ainda assim, a agência ponderou acreditar que “uma reestruturação de dívidas seja possível”.

A agência chamou a atenção para o ambiente de consumo pressionado (seja pela inflação ou por outros bens e serviços que concorrem com o varejo alimentar) e para a nova estrutura acionária do GPA, em que a família Coelho Diniz se tornou o principal acionista, com 24,6% do capital. “A Fitch ainda possui visibilidade limitada sobre a estratégia da companhia a médio e longo prazos, bem como em relação ao apetite por risco e à capacidade de executar as medidas necessárias para fortalecer seu perfil de crédito”, informou.

Desde que se tornaram os principais acionistas do grupo, em maio do ano passado, no lugar do Casino (que comandou o Pão de Açúcar entre 2012 e 2023), os Coelho Diniz não deram entrevistas. A família mineira controla uma rede de supermercados de mesmo nome, no leste de Minas Gerais.

Em resposta ao rebaixamento, a varejista afirmou que a “atualização de rating não resulta em descumprimento de covenants [obrigações aplicadas aos tomadores de crédito] previstos nos instrumentos de endividamento e contratos de financiamento da companhia.”

A companhia tem R$ 1,7 bilhão em dívidas com vencimento em 2026, e o capital de giro líquido estava negativo em R$ 1,2 bilhão ao final do quarto trimestre. O endividamento total do grupo soma R$ 4 bilhões. O balanço de 2025 também indicou cerca de R$ 16 bilhões em disputas tributárias, classificadas como “perdas possíveis” e, portanto, não provisionadas.

Na terça-feira (24), o grupo disse nas notas explicativas do balanço que havia “incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa sobre a continuidade operacional da companhia”. Na ocasião, a administração informou adotar “um conjunto de iniciativas que incluem negociações para o alongamento de prazos de dívidas financeiras, redução do custo financeiro e de despesas e monetização de créditos tributários”.

Autor Original

You may also like

Leave a Comment