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Guerra do Irã: Títulos e ações despencam – 19/03/2026 – Economia

by Silas Câmara

Os mercados de títulos e ações despencaram nesta quinta-feira (19), enquanto investidores alertavam que a região enfrentava um “choque energético prolongado” após ataques à infraestrutura de energia no Qatar e no Irã.

Títulos governamentais de todo o mundo foram atingidos à medida que operadores apostavam que os bancos centrais teriam que responder ao surto de inflação desencadeado pela guerra no Oriente Médio elevando os custos de empréstimos, enquanto as ações europeias recuavam.

O índice Euro STOXX 600, referência na União Europeiam chegou a cair 2,7% na quinta-feira em uma queda generalizada em todo o continente, com todos os setores se desvalorizando, exceto o de energia. Nos EUA, o S&P 500 recuou 0,7% no início do pregão, estendendo a liquidação do dia anterior.

As quedas ocorreram após o Irã atacar o complexo de gás Ras Laffan, no Qatar, que é responsável por fornecer 20% do GNL (gás natural liquefeito do mundo), causando uma nova alta nos preços de energia.

“Os mercados estão começando a precificar um choque energético prolongado”, afirmou Roger Hallam, diretor global de taxas da Vanguard.

Os movimentos se aceleraram após o Banco da Inglaterra afirmar que “está pronto para agir” em relação à inflação diante do impacto da guerra nos preços de energia, ecoando os comentários de quarta-feira do presidente do Fed (Federal Reserve, o BC dos EUA), Jerome Powell, de que “preços de energia mais altos elevarão a inflação geral” e que a possibilidade de um aumento nas taxas de juros “surgiu” nas discussões do Fed. Ambos os bancos centrais mantiveram as taxas de juros, como esperado.

Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano de dois anos, que refletem as expectativas de taxas de juros do Fed, subiram 0,11 ponto percentual para 3,85%.

Os investidores reduziram suas apostas em cortes nas taxas de juros do Fed neste ano. Uma redução de 0,25 ponto percentual era dada como certa na terça-feira (17), mas agora é vista com menos de 20% de probabilidade, de acordo com os preços futuros.

Os títulos do governo britânico foram os mais atingidos pela liquidação de dívida, com o rendimento dos gilts de 10 anos subindo 0,12 ponto percentual para 4,86%, o nível mais alto desde o início do conflito.

A liquidação empurrou os custos de empréstimos do Reino Unido para perto de seu nível mais alto desde 2008.

“Os níveis atuais dos preços de petróleo e gás já são suficientes para adicionar cerca de 1% à inflação geral nos próximos meses, enquanto a escassez de fertilizantes pode elevar a inflação de alimentos mais tarde no ano”, comentou David Rees, diretor de economia global da Schroders.

Na Alemanha, os rendimentos dos Bunds de 10 anos subiram até 0,06 ponto percentual para brevemente ultrapassar 3%, antes de recuar ligeiramente. Os rendimentos alemães de dois anos subiram 0,11 ponto percentual para 2,56%. A exemplo dos EUA e da Inglaterra, o BCE (Banco Central Europeu) também manteve as taxas de juros inalteradas na quinta-feira.

As economias europeias são fortemente dependentes de petróleo e gás do Oriente Médio, tornando os mercados da região especialmente vulneráveis a uma interrupção no fornecimento.

O índice de referência TTF, que determina o preço de muitos contratos de fornecimento de gás, subiu até 35% para atingir 74 euros (R$ 448,70) por MWh, seu nível mais alto desde o início da guerra, antes de recuar para 65 euros (R$ 394) por MWh. Antes da guerra, o preço estava em torno de 32 euros por MWh. Já o preço do petróleo Brent, referência mundial, chegou a atingir US$ 119,11 nesta quinta.

“Estamos entrando no temido território da estagflação”, comentou Altaf Kassam, diretor de estratégia de investimentos para a Europa na State Street Investment Management. “A estagflação é ruim para todos os ativos. Os investidores estão começando a tratar isso como algo mais duradouro”, complementou.

As quedas em Wall Street estão mais moderadas, entre 0,5% e 1%, com o status dos EUA como exportador líquido de energia ajudando as ações a superar o desempenho de seus pares europeus, cujos índices estão desabando mais de 2%.

“Os EUA ainda sentem o aperto dos custos mais altos, preços mais altos, mas… sua infraestrutura física simplesmente não é tão dependente [quanto a Europa] do Oriente Médio ou de importações em geral”, avaliou Peter Schaffrik, estrategista macro global da RBC Capital Markets.

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