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Guerra no Irã impulsiona plano de R$ 6 bi da Potencial – 25/03/2026 – Economia

by Silas Câmara

O grupo Potencial, empresa brasileira do setor de distribuição de combustíveis e do agronegócio, elevou para cerca de R$ 6 bilhões seu plano de investimentos até 2030. A decisão considera a ampliação das capacidades para seus projetos de etanol de milho e da esmagadora de soja que vai atender a sua indústria de biodiesel, conforme disse um alto executivo da companhia à Reuters.

A Potencial, com sede no Paraná, segundo maior produtor brasileiro de grãos, anunciou em agosto de 2025 o projeto de etanol de milho. No entanto, o grupo decidiu mais do que dobrar a capacidade de processamento do cereal em relação aos planos iniciais. Serão 2,6 milhões de toneladas ao ano, considerando que a guerra no Irã, que elevou os preços do petróleo, trará oportunidades para o setor de biocombustíveis do Brasil.

“Um dos ‘starts’ para os planos de expansão foi questão da guerra dos EUA com o Irã”, afirmou Carlos Eduardo Hammerschmidt, vice-presidente Comercial, Relações Institucionais e Novos Investimentos do Potencial, além de integrante da família fundadora da empresa.

Já a processadora de soja do grupo, inaugurada nesta quarta-feira (24) no complexo da empresa em Lapa (PR), também terá sua capacidade mais que dobrada ante a atual para 2,5 milhões de toneladas ao ano. O objetivo é atender a demanda por óleo de soja que será consumido na fábrica de biodiesel da companhia.

Hoje a usina de biodiesel da empresa já pode produzir 900 milhões de litros ao ano. Ela passará a ter uma capacidade de 1,65 bilhão de litros até o início de 2027.

A revisão dos investimentos elevou o total de aportes estimados na usina de etanol de R$ 2 bilhões para R$ 3,5 bilhões. A expectativa é de entrada em operação em três fases anuais, começando em 2028. No final, a capacidade total será de 1 bilhão de litros.

A segunda fase da construção da esmagadora vai começar em 2028, com um investimento adicional de cerca de R$ 800 milhões, para R$ 2,6 bilhões.

Com os projetos, a Potencial espera elevar seu faturamento anual até 2030 para R$ 20 bilhões, ante R$ 12 bilhões no ano passado. Segundo Hammerschmidt, a maior parte dos empreendimentos está sendo bancada com recursos próprios.

BIOCOMBUSTÍVEL E SOBERANIA

Segundo o vice-presidente da empresa, os impactos da guerra, que elevaram os preços do petróleo e ampliaram o risco de escassez.

“Hoje o Brasil é dependente de 25% a 30% de diesel fóssil importado”, afirmou. Para ele, o aumento da mistura de biodiesel no diesel poderia reduzir o risco de desabastecimento. O país usa hoje 15% de mescla do biocombustível.

O empresário destacou ainda, que a preocupação é também com o pós-guerra. “A reconstrução de todas essas refinarias destruídas, estoques, portos, isso não vai acontecer em um ano”, afirmou.

Hammerschmidt lembrou que alguns países estão considerando aumentar o uso de etanol na mistura da gasolina, e que o Brasil teria opção de ampliar a mescla atual de 30%. Da mesma forma, o país poderia ampliar o uso de biodiesel no diesel, já que tem colhido safras recordes de soja e milho e tem uma indústria de álcool de cana-de-açúcar consolidada.

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