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Guerra no Irã: morticínio não afeta prestígio de Trump – 05/03/2026 – Vinicius Torres Freire

by Silas Câmara

O preço médio dos combustíveis nos EUA aumenta desde que começou a guerra contra o Irã. Lá não tem Petrobras para amaciar a variação de preços. Nesta quinta, a gasolina comum custava 12,5% mais do que na média de fevereiro. Por falar nisso, o litro custava R$ 4,54. Na média brasileira, R$ 6,3 —a renda média americana é o quádruplo da brasileira. Passemos.

Combustíveis mais baratos ajudavam a conter a inflação nos EUA. Mas o nível de preços desde a inflação da pandemia ainda machuca a metade mais pobre do país, que não vem tendo aumento real de salário nem se beneficia do aumento de riqueza com a alta das ações. Mesmo sem guerra, preços seriam um problema para Donald Trump e o Partido Republicano nas eleições do final do ano. Em entrevista nesta quinta, Trump disse que não se preocupa com isso: “…[os preços] vão cair muito rapidamente quando isso [guerra] terminar e, se subiram, subiram…”. E daí?

Não se sabe o que os Estados Unidos trumpianos querem com a guerra contra o Irã, se é que eles sabem. Sem objetivo definido, não há medida de sucesso e, pois, baliza para dar fim ao conflito. Nem mesmo é possível medir se tal ou qual quantidade de perdas, como mortes, destruição ou perda de prestígio político e internacional, vale a continuidade da guerra.

Afora Xi Jinping ou país com bomba atômica, quase apenas altas de preços e tumultos nos mercados financeiros têm feito Trump recuar de ameaças e medidas lunáticas. Gasolina, ações e variações perigosas das taxas de juros nem de longe servem como avaliação de sucesso na guerra. Mas seriam a medida de Trump, outra vez?

O S&P 500, um índice muito importante do mercado de ações nos EUA caiu apenas 1% em relação à sexta passada, antes do começo da guerra. É nada, dada a volatilidade do S&P 500. O preço do barril de petróleo Brent já aumentou mais de 16% desde então, bem pior, embora, em um dia qualquer, o preço do Brent pode variar mais ou menos 5%, em média, ao do mês anterior (é assim desde 2023). Dado o tamanho do enrosco e do risco de desastre ainda maior, não são variações descabeladas.

Quase não passa navio pelo famoso estreito de Hormuz, por onde sai o equivalente a 20% do consumo diário de petróleo no mundo. É medo de bomba. Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos em parte contornam o estreito recorrendo a oleodutos; petroleiras americanas podem produzir mais, assim como as de países de fora da zona do conflito. No curtíssimo prazo, semanas, não compensam 15% da perda com Hormuz. Quanto mais tempo de asfixia, maior o risco para preços, mas o fim do ataque daria alívio quase imediato (claro, os efeitos da guerra vão muito além disso, em particular para os mortos). Trump disse que a guerra duraria mais quatro semanas, sabe-se lá com base em qual cenário.

Na média das pesquisas calculada pelo Silver Bulletin, a popularidade de Trump se move pouco desde meados de janeiro. A desaprovação é agora de 54,9%; a aprovação, de 42,5% saldo negativo de 12,4 pontos (era positivo de 11,6 no início do mandato). A insatisfação é bem parecida com a desaprovação desta guerra de Trump: no pior dos casos, das pesquisas, é de 59%.

Portanto, o morticínio no Irã por ora não afeta ainda mais o prestígio desse bucaneiro perverso e demente, que é capaz de falar de escolha de cortinas douradas para o salão de baile que está construindo na Casa Branca no meio de um discurso sobre a guerra. Preços e prestígio por ora parecem os motivos à vista que podem conter Trump.


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