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Guerra no Oriente Médio afeta produção mundial de grãos – 24/03/2026 – Vaivém

by Silas Câmara

O atual conflito geopolítico no Oriente Médio tem um componente mais complicado para o médio prazo no abastecimento mundial de alimentos do que o da guerra entre Rússia e Ucrânia. Os produtos agrícolas não dispararam logo no início deste conflito, como ocorreu após a invasão da Ucrânia pela Rússia, mas a oferta de alimentos poderá ser afetada a médio prazo.

No início do conflito na Europa, ambos os envolvidos eram fornecedores de grãos, mas a oferta mundial era baixa, e os países, ainda afetados pela pandemia, buscavam recompor estoques de alimentos rapidamente, provocando alta repentina dos preços.

Neste ano, os estoques mundiais são melhores, mas atraso no fornecimento de fertilizantes, alta de preços desses insumos e elevação de custos na produção agrícola deverão levar os produtores do mundo a cuidar menos das lavouras, o que pode gerar perda de produtividade, se a guerra persistir.

Ao contrário de 2022, os agricultores estão com renda menor e, em alguns dos principais fornecedores mundiais, como nos Estados Unidos, este será o quarto ano de perda de renda. Além dos preços menores no mercado internacional, Donald Trump dá uma ajudazinha para a queda de renda e de participação menor dos americanos no mercado internacional.

Os países da região do conflito atual têm uma capacidade muito limitada na produção agrícola, mas são responsáveis por pelo menos um terço do fornecimento de fertilizantes para as principais regiões produtoras de alimentos.

Dados da editora online Visual Capitalist indicam que o Oriente Médio participa com apenas 0,06% das áreas agriculturáveis do mundo, mas a IFA (International Fertilizer Association) aponta que os países da região fornecem 30% dos principais fertilizantes comercializados globalmente.

Apenas Irã, Qatar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Bahrein são responsáveis por 23% do comércio global de amônia; 34% do de ureia, e 18% do de fosfato de amônio. Os países da região não são grandes produtores de grãos, mas têm poder de influenciar muito a produção nas principais regiões produtoras.

O efeito da menor oferta desse insumo no Oriente Médio ficou ainda mais amplificado pelas restrições da China e da Rússia, os dois maiores fornecedores para os brasileiros. Os russos, responsáveis por 40% do comércio mundial de nitrato de amônio, suspenderam, por um mês, as exportações do insumo.

Carne bovina Pelos dados divulgados pela alfândega da China, referentes ao primeiro bimestre deste ano, as exportações da América do Sul fora da cota extra de 55% não devem avançar muito pelo segundo semestre, e se esgotam logo em meados de julho, segundo analistas.

Como está No caso do Brasil, a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) aponta que os números mostram um ritmo acelerado na utilização da cota pelos brasileiros, com o preenchimento atingindo 33,6% apenas nesses dois primeiros meses.

Como está 2 A associação diz ser importante que mecanismos sejam adotados pelo governo brasileiro para acompanhar de forma mais próxima a evolução desse cenário.

Quanto foi A China importou 372 mil toneladas de carne bovina brasileira no bimestre, e a cota destinada para o país durante todo o ano é de 1,106 milhão de toneladas.

Quanto foi 2 A Austrália já preencheu 35% de sua cota; a Argentina, 20%; o Uruguai, 11%, e os Estados Unidos, apenas 0,2%. Da compra prevista de 2,69 milhões de toneladas em 2026, a China adquiriu 628 mil nos dois primeiros meses do ano.


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