Donald Trump tentou conter o pânico no mercado de petróleo na segunda. Conseguiu, por ora. O barril do Brent chegou a baixar a US$ 84, nesta terça. Teve repique, mas essa é outra história. A possibilidade de que os países mais ricos liberassem petróleo de suas reservas estratégicas, um paliativo bem provisório, ajudou, assim como a volta de algum tráfego no estreito de Hormuz (uns 10% da média diária de navios).
Ainda não se sabe se Trump amarelou (TACO, “Trump Always Chickens Out”, Trump Sempre Amarela ou Arrega). Se sabia o que estava dizendo. Se uma destruição significativa das armas iranianas permitiria ao menos um avanço da hipótese de “fim da guerra”, embora não de fim do conflito —a distinção é importante. Na sexta passada, Trump dizia que a guerra acabaria apenas em caso de “rendição incondicional” do Irã ou de destruição total da capacidade militar do país.
O Instituto Judaico para a Segurança Nacional da América fez um levantamento de quantos tiros o Irã tem dado. No primeiro dia do conflito, um sábado, dia 28 de fevereiro, as forças dos aiatolás teriam lançado 428 mísseis balísticos na direção de Israel e dos países do Golfo Persa. Nos últimos sete dias, a média diária teria baixado a 39,9% do número de lançamentos do início da guerra. Quanto a drones, a baixa teria sido de 345 para 149. Os militares americanos dizem coisa parecida.
Pode ser que as forças armadas e o estoque de armas do Irã estejam desmantelados. Ou pode ser que a teocracia hereditária militar esteja guardando munição ainda para este conflito ou para outros que virão. Isto é, para reagir em caso de provável novo ataque, ameaçando Trump ou a economia mundial com sua arma maior, que é asfixiar o estreito de Hormuz e assim causar inflação e alta de juros, no mínimo. Trump deu uma medida da força que o Irã pode ter.
Essa era uma ameaça sempre alardeada, mas que jamais ocorrera para valer. Por uns dias, tem dado certo. Se sobrar arma de fato no Irã, essa arma política restará à disposição. A guerra pode acabar. O conflito, não.
Como se escrevia nestas colunas no domingo, seria importante saber se o Irã viria a se render, com ou sem condições, ou se, antes, Trump teria de se curvar à política, ao risco aumentado de perder a eleição por causa de carestia, ou diante de rebuliço maior nos mercados financeiros. Trump piscou. Na terça, passou a dizer que os iranianos lançariam minas no mar de Hormuz. Se verdade, seria um desastre. O rumor, porém, pode justificar a continuação da guerra que estaria acabando.
No início da noite desta terça, o petróleo tipo Brent voltara à casa dos US$ 90, 25% acima do preço do dia anterior ao do início da guerra. Sem “fim da guerra”, quanto dura essa relativa calmaria? Sem fim do conflito (Irã ainda capaz de atirar, sem mudança de regime), com alguma demora na retomada de produção e transporte, onde para o preço do petróleo?
O futuro da guerra no mínimo pode afetar o preço de sua gasolina. De diesel, combustível de aviação, comida, passagens aéreas, fertilizantes, alumínio, insumos para a fabricação de chips. Pode não dar em grande coisa. Pode dar em inflação ruim como a de 2022.
As guerras bucaneiras de Trump devem ter outras consequências. Qual país não pensa em se armar, rearmar, em bomba atômica? Luiz Inácio Lula da Silva falou no assunto, nesta segunda: “Se a gente não se preparar na questão de defesa, qualquer dia alguém invade a gente”.
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