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Guerra vai reduzir crescimento global, diz Banco Mundial – 11/04/2026 – Economia

by Silas Câmara

A guerra no Oriente Médio terá um impacto em cascata sobre a economia global, mesmo que um cessar-fogo anunciado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, se concretize, disse o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, nesta sexta-feira (10).

E os danos serão muito mais profundos se o cessar-fogo fracassar e o conflito escalar, afirmou.

Segundo Banga, o crescimento global poderia ser reduzido em 0,3 a 0,4 ponto percentual em um cenário base, com um fim antecipado da guerra, e em até 1 ponto percentual se ela persistir. A inflação poderia aumentar de 200 a 300 pontos-base, com um impacto muito maior —de até 0,9 ponto percentual— se a guerra continuar, disse ele.

A estimativa base do Banco Mundial agora projeta crescimento de 3,65% em mercados emergentes e economias em desenvolvimento em 2026, em comparação com 4% em outubro, podendo cair para 2,6% em um cenário adverso com uma guerra mais prolongada. A inflação nesses países agora está prevista para atingir 4,9% em 2026, acima da estimativa anterior de 3%. O cenário extremo poderia ver a inflação subir para até 6,7%, segundo estimativas obtidas pela Reuters.

A guerra, que matou milhares de pessoas em todo o Oriente Médio, elevou o preço do petróleo em 50%, ao mesmo tempo em que interrompeu o fornecimento de petróleo, gás, fertilizantes, hélio e outros produtos, além de afetar o turismo e as viagens aéreas.

O cessar-fogo de duas semanas anunciado por Trump parece frágil, com Israel e Irã continuando os ataques. O Irã disse na sexta-feira que ativos iranianos bloqueados devem ser liberados e um cessar-fogo deve entrar em vigor no Líbano antes que as negociações EUA-Irã, programadas para sábado no Paquistão, possam prosseguir. Trump disse que navios de guerra americanos estavam sendo reabastecidos com munição caso as negociações fracassassem.

“A questão realmente é: essa paz atual e as negociações que vão acontecer neste fim de semana —isso levará a uma paz duradoura e então à reabertura do estreito (de Hormuz)?”, disse Banga. “Se não levar a isso, e se o conflito voltar a eclodir, isso teria um impacto ainda maior, ou de mais longo prazo, na infraestrutura energética?”

Banga disse que o maior banco de desenvolvimento do mundo já está em discussões com alguns países em desenvolvimento, incluindo pequenos estados insulares sem recursos energéticos naturais, sobre o acesso a fundos de programas existentes sob “janelas de resposta a crises”.

O conjunto de ferramentas de crise do Banco Mundial permite que países acessem fundos previamente aprovados, mas ainda não desembolsados, sem aprovações adicionais do conselho, aumentando a flexibilidade.

Mas Banga afirmou que o banco está alertando os países para evitar estabelecer subsídios de energia que não podem custear, o que desencadearia problemas ainda maiores no futuro.

“Preocupo-me em garantir que eles possam atravessar essa crise, direcionando o que precisam fazer, mas sem fazer nada que deteriore ainda mais esse espaço fiscal”, disse ele.

Muitos países em desenvolvimento também têm altos níveis de endividamento e as taxas de juros permanecem elevadas, o que restringe sua capacidade de tomar empréstimos para financiar medidas de resposta ao aumento dos custos de energia e de outros produtos causado pela guerra.

A crise colocou um novo foco na necessidade de os países diversificarem os suprimentos de energia e aumentarem a autossuficiência, disse Banga. O Banco Mundial encerrou em junho passado uma proibição de longa data ao financiamento de projetos de energia nuclear como parte de um esforço para atender às crescentes necessidades de eletricidade.

A Nigéria, que há muito enfrentava problemas, deve se beneficiar de um investimento de US$ 20 bilhões (R$ 100,4 bilhões) feito pelo Grupo Dangote em refinarias, que na verdade aumentou a produção durante a guerra e agora está fornecendo combustível de aviação para países vizinhos.

“A Nigéria deveria estar aliviada. Eles construíram a capacidade de ter segurança energética para si mesmos através desse enorme investimento”, disse ele. “Na verdade, é um exemplo muito bom da coisa certa sendo feita em termos de autossuficiência energética para eles, mas também para seus vizinhos.”

O Banco Mundial também está trabalhando em estreita colaboração com Moçambique, outro país africano, para expandir suas capacidades de produção de energia tanto em gás natural quanto em energia hidrelétrica.

O Banco Mundial tem muitos projetos de energia em andamento, disse Banga, observando que conversas estão em curso com alguns países que buscam estender a vida útil de suas frotas de reatores nucleares, e outros interessados em ingressar na energia nuclear.

“Se não colocarmos a energia nuclear, hidrelétrica e geotérmica funcionando em escala, junto com a eólica e solar, eles acabarão usando mais combustíveis tradicionais, e ninguém realmente quer isso”, disse ele.

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