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Ibaneis deixa mandato um ano após compra do Master – 28/03/2026 – Política

by Silas Câmara

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), encerrou seu mandato neste sábado (28), exatamente um ano depois do anúncio de compra do Banco Master pelo BRB (Banco de Brasília), escândalo que o colocou diante da maior crise desde que foi eleito em 2018.

A assinatura de sua renúncia ao cargo foi feita pela manhã, em cerimônia de celebração do aniversário de 55 anos de Ceilândia, região administrativa de Brasília.

Reeleito com folga em 2022 em primeiro turno, Ibaneis deixa o Governo do Distrito Federal para concorrer ao Senado em meio ao avanço das investigações e à incógnita sobre o futuro do BRB, graças às perdas bilionárias causadas pela operação com o Master.

O banco, cujo principal acionista é o Governo Distrito Federal, enfrenta dificuldades para cumprir o prazo inicialmente previsto para divulgação dos resultados de 2025, 31 de março, e encontrar uma solução para o problema de patrimônio.

Em clima de despedida, Ibaneis ofereceu um jantar aos candidatos do MDB em Brasília na quarta (25). Segundo relatos, o governador disse estar confiante com sua candidatura ao Senado e a de sua vice, Celina Leão (PP), ao governo.

Ibaneis repetiu que está tranquilo com a possibilidade de o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, assinar um acordo de delação premiada. Também afirmou que todas as transações do seu escritório estão documentadas e foram feitas dentro da legalidade.

O desgaste enfrentado por Ibaneis aumentou os rumores de que ele pudesse desistir da eleição ao Senado para continuar com foro especial até o fim do mandato, no início do ano que vem. Em diferentes oportunidades, o governador se viu obrigado a repetir que deixaria o cargo neste mês.

“Ele não tem mais apoio. Esta semana a gente bateu nele [nos discursos] e não apareceu um deputado da base dele para defendê-lo. Eu não sei o que vai acontecer, mas a situação é grave”, diz o deputado distrital Chico Vigilante (PT-DF).

No mês passado, o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, saiu da base aliada de Ibaneis, deixando o palanque dele e de Celina ainda mais conflagrado.

O partido já anunciou que pretende lançar duas candidatas ao Senado na chapa de Celina, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e a deputada federal Bia Kicis (PL-DF) —arranjo que deixa Ibaneis de fora do acordo.

Integrantes do PL e do MDB admitem que a equação hoje ainda não está fechada. Aliados de Ibaneis afirmam que ele está seguro de que o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, vai interferir no DF para forçar Bia a desistir da candidatura ao Senado e disputar a reeleição para a Câmara.

A situação também foi discutida durante o jantar organizado por Ibaneis na quarta. Segundo relatos, correligionários do governador afirmaram que, quando a campanha começar, ele deve explorar os feitos da gestão em contraposição aos das duas adversárias.

Um aliado de Ibaneis que falou sob a condição de anonimato disse que, na visão do grupo, nem Michelle nem Bia têm um legado de serviços para apresentar ao eleitor, apenas discursos ideológicos. Ibaneis, sim.

Do outro lado, opositores do governador apostam que a crise envolvendo o BRB-Master deve desgastá-lo ainda mais até outubro. Sem espaço para tentar a reeleição, o senador Izalci Lucas (PL) se coloca como pré-candidato a governador. Na visão dele, o partido não vai ter condições de manter o apoio a Celina.

“Acho que a candidatura do Ibaneis derreteu, todo dia surge um fato novo. Houve um rombo que comprometeu a economia do Distrito Federal”, diz Izalci, acrescentando que as chapas ainda estão em aberto.

Nos bastidores, o deputado federal Rafael Prudente (MDB) tem sido apontado como uma alternativa do MDB —seja para a disputa ao Senado ou para o governo, caso Ibaneis e Celina desistam de concorrer ou sejam impedidos.

Questionado pela reportagem, Prudente respondeu estar “firme no propósito da reeleição a deputado federal”. Prudente afirma que a equação entre Michelle, Bia e Ibaneis vai precisar ser ajustada mais à frente pela vice-governadora. O deputado também diz que Ibaneis é o responsável pelo desenho dessa aliança; sair da chapa, portanto, deve ocorrer apenas por decisão pessoal dele.

Ibaneis foi alvo de pedidos de impeachment, todos barrados pelo presidente da Câmara Legislativa do DF, Wellington Luiz (MDB), de quem é aliado. Três requerimentos para a abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) foram apresentados, mas nenhum deles conseguiu o número mínimo de assinaturas para avançar.

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