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Imagem salpicada revela companheira de Betelgeuse – 27/07/2025 – Mensageiro Sideral

by Silas Câmara

Um grupo americano de astrônomos conseguiu fazer algo até então considerado praticamente impossível e encontrou uma discreta companheira estelar de Betelgeuse, um dos astros mais famosos do céu noturno.

Você decerto já a viu, é a estrela avermelhada que forma o ombro de Órion (próximo das Três Marias, que compõem o cinturão do caçador na constelação). Se não viu, o resto da humanidade viu –por muitos milênios– e notou que a estrela tem uma redução de brilho mais longa que se repete a cada seis anos.

Estamos falando de uma supergigante vermelha –astro de vida curta, que, apesar de jovem (10 milhões de anos, o que é bem pouco para uma estrela), já está nas últimas e deve em algum momento próximo (pense em termos astronômicos, não é amanhã, não é em um século) explodir como uma supernova. Entre 2019 e 2020, por sinal, ela teve uma redução de brilho tão intensa que alguns especularam que era sinal de detonação iminente, mas mais tarde cientistas confirmaram que o ofuscamento temporário foi causado por uma grande nuvem de poeira ejetada pela estrela moribunda.

Pois bem. A melhor hipótese para explicar o apagamento periódico de seis anos era mesmo a presença de uma estrela companheira. Mas é preciso ver para crer, e buscas com o Telescópio Espacial Hubble e com o Observatório Chandra de Raios X fracassaram. Houve quem achasse que seria simplesmente impossível visualizá-la, por conta de sua proximidade com o astro central, que nessa fase supergigante tem diâmetro 700 vezes maior que o do nosso Sol.

Contudo, o grupo liderado por Steve Howell, do Centro Ames de Pesquisa da Nasa, encontrou um meio de fotografar a discreta companheira e, com isso, confirmar sua existência. O segredo foi usar uma técnica conhecida como “imageamento salpicado” (“speckle imaging”), com um instrumento chamado Alopeke, instalado no telescópio Gemini Norte, no Havaí. Essa técnica envolve fazer imagens de exposição ultrarrápida para, com isso, evitar as distorções causadas pela atmosfera terrestre.

A observação permitiu detectar a estrela e estimar suas propriedades –um astro com 50% mais massa que o Sol que, no entanto, ainda nem começou a queimar hidrogênio e produzir energia. É um bebê estelar, incapaz de se virar sozinho. Paradoxalmente, ele deve ter se formado na mesma época que Betelgeuse, 10 milhões de anos atrás. É a natureza das estrelas: quanto maiores, mais rapidamente envelhecem. A maior já está no final de sua vida, tendo encerrado seu estoque de hidrogênio no núcleo, e a menor ainda nem começou sua vida adulta ao fundir hidrogênio em hélio. Pior: orbitando a cerca de quatro vezes a distância da Terra ao Sol, a irmãzinha atravessa a atmosfera superior de Betelgeuse, o que a faz perder velocidade e espiralar na direção da companheira. Resultado: em breve (menos de 10 mil anos) ela vai mergulhar e se fundir com a irmã maior.

O resultado, publicado na quinta-feira (24) no Astrophysical Journal Letters, não só elucida um dos mistérios da intrigante Betelgeuse como ajudará a explicar outras estrelas supergigantes que, como ela, passam por reduções de brilho periódicos. Além disso, os astrônomos esperam dar uma outra olhada na companheira recém-descoberta em novembro de 2027, quando mais uma vez ela estará suficientemente afastada da estrela principal para ser detectada.

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