Os impostos vão ajudar ou atrapalhar a reeleição do presidente Lula em 2026? Uma pesquisa da consultoria Plano CDE mostra que 42% da população beneficiada pelo aumento da isenção do Imposto de Renda votaria “com certeza” em candidatos que apoiaram a proposta. Outros 40% afirmam que a medida não influenciará o voto.
O aumento da isenção era uma pauta do petista e também do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na eleição de 2022. A nova legislação foi aprovada com apoio do governo e da oposição. No Senado, o agora pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi favorável ao texto, embora tenha proposto reduzir o alcance do imposto mínimo sobre altas rendas.
Mas, ao serem questionados sobre quais os políticos que foram os maiores responsáveis pela mudança, 70% apontam o governo Lula, parlamentares ligados ao governo ou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Deputados e senadores de oposição ao governo foram citados por apenas 10% dos entrevistados.
Os dados podem melhorar? Há ainda o que a consultoria aponta como um problema de comunicação. Por um lado, 89% conhecem a medida. Por outro, daqueles que já receberam salário, aposentadoria ou pensão neste ano, apenas 58% perceberam redução no desconto do IR. Os demais disseram que o valor foi o mesmo (20%) ou não repararam (22%).
Foram ouvidas 1.000 pessoas com renda tributável na fonte entre R$ 3.036 e R$ 7.350, no período de 19 a 25 deste mês. São justamente aquelas que passaram a pagar menos imposto neste ano.
Embora o ganho para a maioria não supere R$ 200, 83% dizem que o dinheiro fará diferença. Isso pode representar “um boleto a menos” todos os meses. A maior parte dos consultados utilizou a renda extra para contas básicas, poupança ou pagamento de dívidas. Apenas 14% falaram em aumento de consumo.
O diretor-executivo da consultoria, especializada nas classes C, D e E, Maurício de Almeida Prado, afirma que o resultado da pesquisa é positivo para o governo. Os dados apontam que a medida garantiria o apoio de pelo menos 40% dos beneficiários que declaram não ter posicionamento político —cerca de um terço dos entrevistados. “Há um grupo que não é nem lulista, nem bolsonarista, nem esquerda, nem direita que tem uma visão positiva. Em um contexto de eleição acirrada, isso pode se transformar em voto.”
Essa desoneração é uma das principais apostas para impulsionar as intenções de voto do petista, que atualmente sofre para manter a dianteira nas simulações de segundo turno.
Lula também vai encerrar o mandato tendo patrocinado uma reforma histórica no sistema de tributação do consumo, mas que não dará frutos visíveis neste ano. Pelo contrário: o governo terá de ser pragmático e estratégico na definição das alíquotas dos tributos que começam a ser cobrados em 2027 para não dar munição aos adversários.
Tem postergado, por exemplo, a apresentação do projeto com as alíquotas do “imposto do pecado”. Alguns setores afetados temem que fique tudo para depois da eleição, atrapalhando o planejamento das empresas.
Cristalizou-se para muitos brasileiros a imagem de um governo que aumenta tributos e gasta muito —independente de você concordar ou não com isso. Está na conta do petista, por exemplo, a “taxa das blusinhas”, embora um dos impostos cobrados nas compras em sites internacionais seja o ICMS dos estados. Os governadores, aliás, preferiam não mexer com impostos em 2025, depois de aumentarem muitos deles nos últimos três anos.
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