Home » Investimento chinês no Brasil muda o foco para consumo – 11/04/2026 – Economia

Investimento chinês no Brasil muda o foco para consumo – 11/04/2026 – Economia

by Silas Câmara

Para a rede chinesa de sorveterias e bebidas Mixue, que já possui mais lojas do que Starbucks ou McDonald’s, um alegre boneco de neve como mascote na avenida mais famosa de São Paulo sinaliza uma nova fase de sua expansão global.

A primeira unidade da Mixue no Brasil, inaugurada neste sábado (11), marca a chegada da marca à América do Sul em meio a uma nova onda de investimentos chineses, consolidando laços econômicos que já substituíram os EUA como principal parceiro comercial do continente.

Mas, diferentemente das ondas anteriores de investimentos de capital que Pequim direcionou para o Brasil, concentradas em algumas enormes barragens hidrelétricas e projetos petrolíferos, uma série de empresas chinesas agora está cortejando os mais de 200 milhões de consumidores do país.

O foco na expansão dos mercados externos para os produtos chineses surge num momento em que Pequim enfrenta crescentes barreiras comerciais nos Estados Unidos, país que há muito tempo é o principal consumidor de suas exportações, líderes mundiais no setor.

O investimento direto chinês dobrou para US$ 4,2 bilhões (R$ 21 bilhões) em 2024, distribuídos em 39 projetos no Brasil, tornando o país o terceiro maior receptor de investimentos chineses do mundo, segundo os dados mais recentes do Conselho Empresarial Brasil-China.

Para impulsionar ainda mais o crescimento, a Mixue planeja investir cerca de R$ 3 bilhões para começar a vender limonada, chá de jasmim e sorvetes na maior economia da América do Sul, sob a marca de um boneco de neve de desenho animado, em desacordo com o clima tropical.

A Mixue pretende abrir entre 500 e 1.000 lojas no país até 2030, incluindo franquias, afirmou Tian Zezhong, CEO da Mixue Brasil.

A rede de fast-food se junta a empresas chinesas, desde aplicativos de entrega e fabricantes de veículos elétricos até empresas de eletrônicos de consumo, que apostam nos consumidores brasileiros, cada vez mais receptivos às marcas chinesas consideradas competitivas tanto em preço quanto em qualidade.

“Depois que você começa a comprar produtos chineses, é muito difícil voltar a comprar de outras marcas por causa da relação custo-benefício, da qualidade e de como eles se destacam em termos de design e entrega”, disse Bianca Gunes, de 30 anos, enquanto passeava em frente à nova loja brasileira da Mixue no Shopping Cidade São Paulo.

DELIVERY, CARROS E SAÚDE NO PLANO DE NEGÓCIOS

A fabricante chinesa de eletrônicos Huawei ocupa uma localização privilegiada na entrada do mesmo shopping. Após quase três décadas no país, a Huawei inaugurou sua primeira loja em São Paulo no ano passado, reconhecendo a demanda dos brasileiros por experiências de compra presenciais, afirmou Diego Marcel, gerente de relações públicas da divisão de negócios com o consumidor da empresa no Brasil.

“Os consumidores brasileiros gostam muito de tecnologia. Eles gostam, mas também são muito exigentes”, disse Ricardo Bastos, chefe de assuntos institucionais da montadora chinesa GWM, que inaugurou sua primeira fábrica na América do Sul no estado de São Paulo no ano passado.

Tanto a GWM quanto sua concorrente chinesa BYD compraram fábricas brasileiras de rivais ocidentais nos últimos anos e estão reequipando-as para a produção de veículos elétricos e híbridos.

A fábrica da GWM, localizada em uma antiga unidade da Mercedes-Benz, deverá receber um investimento de R$ 10 bilhões ao longo de uma década.

Executivos afirmam que as relações entre Brasil e China estão se beneficiando tanto de uma dinâmica de atração quanto de repulsão. As tensões geopolíticas têm afastado os investimentos chineses dos Estados Unidos, enquanto o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva celebra o melhor momento histórico das relações com a China.

“O presidente [Lula] convenceu nosso CEO de que o Brasil estaria aberto ao nosso investimento”, disse Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD, à Reuters em entrevista em fevereiro . “A partir daí, é claro, a empresa, sendo uma companhia privada de capital aberto, decolou graças à sua própria capacidade de execução.”

O governo brasileiro também busca importar avanços na área da saúde, onde a China demonstrou novas aplicações da inteligência artificial. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse à Reuters que visitou Xangai, Shenzhen e Chengdu no mês passado em busca de possíveis parcerias, investimentos e transferência de tecnologia.

Embora os brasileiros já estejam acostumados com os preços baixos e os longos prazos de entrega de sites de e-commerce chineses como AliExpress e a varejista de roupas Shein, a recém-chegada Meituan aposta que pode revolucionar o concorrido mercado brasileiro de entrega de refeições.

A empresa pretende investir US$ 1 bilhão (R$ 5 bilhões) até 2030 para competir em um setor que inclui a Rappi, parceira da Amazon, e a iFood, pertencente à empresa holandesa Prosus.

Autor Original

You may also like

Leave a Comment