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Israel bombardeia Hezbollah no Líbano; veja contexto – 02/03/2026 – Mundo

by Silas Câmara

Israel abriu uma nova frente em sua guerra contra o Irã, com bombardeios agora alvejando também o Líbano. Os ataques iniciados por Tel Aviv na segunda-feira (2) visam, em especial, a milícia libanesa Hezbollah, um de seus principais rivais nessa região desde os anos 1980.

Não é só Israel que enxerga uma oportunidade de desmontar o Hezbollah. O próprio governo libanês vem há anos tentando cercear a milícia e dá sinais de que pode apertar o cerco nestas próximas semanas.

Já era esperado que o Hezbollah se envolvesse na guerra. O grupo foi criado por clérigos xiitas em 1982 sob a proteção do Irã e atuou, nas últimas décadas, como um tentáculo dos aiatolás no Líbano e na Síria. Com o assassinato do líder supremo iraniano Ali Khamenei no sábado (28), a milícia atacou Israel.

Em resposta, Tel Aviv bombardeou bases do Hezbollah perto de Beirute e outras partes do Líbano. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que o grupo pagaria “caro”, disse que seu líder, Naim Qassem, era um “alvo marcado” — e que terminaria “no inferno” com Khamenei.

Já o primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, afirmou que não tinha dado ordens para atacar Israel, que não apoiava tais ataques e que estava disposto a negociar com o país vizinho. Salam também baniu todas as atividades militares do Hezbollah e exigiu o desarmamento do grupo.

A tarefa de desmobilizar a milícia é complexa, dada a sua força dentro do país, tanto militar quanto social. O grupo surgiu no contexto da invasão israelense do Líbano e se firmou desde então como um forte símbolo de sua resistência aos ataques de Tel Aviv.

A milícia se tornou a principal força armada do Líbano, mais importante do que o próprio Exército do país. Interferiu também na vizinha Síria, entrando na guerra civil ao lado de Bashar al-Assad. Sem o apoio do Hezbollah, é improvável que o ditador tivesse ficado no poder até 2024.

Em paralelo, o Hezbollah se infiltrou no tecido social libanês, provendo serviços básicos que o Estado — em grande parte ausente e disfuncional— não provê. Beirute, vale lembrar, é uma cidade acostumada a cortes diários de luz e água, com um transporte público informal e inconstante.

A sorte do Hezbollah começou a mudar nos últimos anos. Israel realizou uma série de ataques contra o Líbano, assassinando em 2024 o líder da milícia, Hassan Nasrallah. A milícia também sofreu um revés com a queda de Assad, que interrompeu o fluxo de armamentos que escoavam, até então, pela fronteira da Síria. A morte do aiatolá Khamenei foi agora um outro baque.

O Hezbollah perdeu, ainda, apoio dentro do próprio Líbano. Em meio a crises econômicas e ataques israelenses, alguns setores da população libanesa ressentem o poderio da milícia e os conflitos em que enfiou o país. Partidos políticos encerraram alianças de décadas com o grupo. Até aliados históricos —como o líder do Parlamento, Nabih Berri — parecem ter se afastado.

Aproveitando a fragilidade do grupo, o governo libanês vem tentando reconfigurar o país. O governo de Salam recentemente reduziu a participação do Hezbollah no Parlamento e retirou seu poder de veto, que no passado blindou a milícia de medidas legislativas. O Exército também quer desarmar o grupo e garantir, assim, que o Estado tenha o monopólio da força.

Apesar de tudo isso, o Hezbollah deu mostras de resiliência nas últimas décadas, em especial por ainda contar com o apoio sólido de parte da população libanesa. Segue em posse de mísseis capazes de atingir Israel e conta, agora, em criar caos na região da fronteira e desgastar assim arquirrival.


Datas relevantes para história de Líbano e Hezbollah

  • 1943 Independência do Líbano após domínio francês e criação do pacto nacional sectário
  • 1975 Início da guerra civil; durante o conflito, Israel e Síria invadem e ocupam partes do país
  • 1983 Atentados em Beirute matam centenas de militares americanos e franceses; EUA atribuem ataque ao Hezbollah
  • 1985 Primeiro manifesto do Hezbollah, espécie de fundação oficial do grupo
  • 1989 Lideranças libanesas se reúnem na Arábia Saudita para assinar acordo de fim da guerra civil
  • 1992 Atentado suicida na embaixada de Israel em Buenos Aires é atribuída a grupos ligados ao Irã; Hezbollah participa de eleições pela primeira vez, e Hassan Nasrallah se torna o líder do grupo
  • 1997 EUA designam Hezbollah como grupo terrorista
  • 2005 O então primeiro-ministro libanês, Rafiq Hariri, é assassinado
  • 2011 Início da guerra civil da Síria
  • 2013 União Europeia designa braço armado do Hezbollah como terrorista, mas não o partido
  • 2017 Liga Árabe chama Hezbollah de organização terrorista
  • 2022 Coalizão liderada pelo grupo perde maioria no Parlamento libanês
  • 2024 Principal liderança do Hezbollah, Nasrallah é morto em ataque de Israel

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