Honda, Toyota, Nissan e Mitsubishi somaram 380,1 mil unidades emplacadas em 2025. Houve queda de 6,1% na comparação com 2024.
O resultado interrompeu o ciclo de crescimento dessas marcas, segundo os dados da Fenabrave (associação dos distribuidores de veículos). Entre 2022 e 2023, houve um salto de 9,7%, ainda refletindo a retomada pós-pandemia. Já em 2024 em relação a 2023, o aumento ficou em 6,9%.
Não se trata de um movimento uniforme: as marcas oscilaram para cima ou para baixo nesses quatro anos. O resultado do ano passado, por exemplo, foi puxado para baixo principalmente pela queda de 16,3% nas vendas da Toyota, que é a mais popular entre as japonesas com fábrica no Brasil.
O resultado negativo se deve em grande parte ao fenômeno climático que, em setembro, destruiu a fábrica de motores da empresa, em Porto Feliz (interior de São Paulo). A recuperação é aguardada para este ano, com as vendas do SUV compacto Yaris Cross.
Na Honda, que é a segunda no ranking particular das marcas japonesas, o WR-V ajudou a registrar um crescimento expressivo em 2025, com alta de 13,1% sobre 2024. Já a Nissan caiu 11%, enquanto a Mitsubishi, embalada pela nova picape Triton, cresceu 26,8% nas vendas, mas com volume bem menor que o resgistrado pelas conterrâneas.
Os dados podem ser revertidos com a renovação de produtos, mas há uma preocupação em comum: o avanço das marcas chinesas no mercado nacional.
Entre 2006 e 2022, seria inimaginável que compradores de carros japoneses pensassem em adquirir um modelo da China. Esse cenário começa a mudar em 2023, quando BYD e GWM iniciam suas vendas no Brasil.
Hoje já não é incomum que o ex-proprietário de um Toyota Corolla Cross esteja dirigindo um Haval H6 ou um Caoa Chery Tiggo 7. Em geral, os atrativos desses modelos são os sistemas híbridos mais evoluídos e o custo-benefício.
Tais qualidades são contrapontos ao conservadorismo das marcas japonesas, que construíram sua boa fama ao preservar características mecânicas e tecnológicas sem dar saltos abruptos. Essa zona de conforto promove a confiabilidade e ajuda a preservar o valor de revenda, mas não é tudo no mercado automotivo.
Em 2025, a BYD teve mais unidades vendidas que Honda, Nissan e Mitsubishi. No primeiro bimestre de 2026, a marca chinesa emplacou cerca de mil veículos a mais que a Toyota.
Observar o avanço dos carros da China e seu possível impacto sobre as marcas japonesas mostra o tamanho da mudança em curso no mercado nacional.
Não se trata apenas de estratégias que podem ser questionadas, como a importação acelerada de algumas empresas, mas também da velocidade com que essas novas marcas têm sido absorvidas por um público que, há pouco tempo, não as colocaria entre as opções de compra.
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