Jorge Luiz Mansur Javorski tornou-se um jornalista de referência na cobertura e na assessoria de imprensa em saúde no Paraná. Cobriu momentos históricos, como o avanço da Aids na década de 1980, transplantes de todos os tipos e a revolução de pesquisas e tratamentos.
Trabalhou para grandes entidades do setor, como Associação Médica do Paraná, Sociedade Paranaense de Pediatria, Sociedade Paranaense de Radiologia, Instituto Radion, Médicos de Olhos do Paraná e Hospital das Clínicas.
Foi diretor de saúde do SindijorPR (Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná), entre 2003 e 2006. “Era uma referência na assessoria de imprensa na área da saúde, campo em que deixou importantes contribuições profissionais e humanas”, publicou a entidade.
Formado em jornalismo pela UFPR (Universidade Federal do Paraná) foi pauteiro na TV Bandeirantes, repórter de grandes jornais paranaenses, como Gazeta do Povo e o extingo O Estado do Paraná, no qual, além das coberturas diárias, manteve uma coluna sobre Carnaval em que assinava como Jorginho Reco-Reco.
Sua colega da época, Adélia Lopes, então Adelita Abre-Alas, lembra o quanto Jorge era disposto e alegre. “Ia para as quadras de samba, de noite, fora do horário do cotidiano da Redação e sem ganhar nenhum extra. Estava sempre sorrindo, nunca reclamou de pauta. Mesmo cansado, maldormido, em vez de reclamar, abria aquele sorriso no olhar.”
O sorriso e a simpatia de Jorge marcaram quem o conheceu, assim como sua capacidade de congregar pessoas. “Para ele, parecia nunca haver tempo ruim. Exemplo de profissional competente e de ser humano generoso”, resume a amiga Andréa Morais.
“Era de um carisma cativante e, ao mesmo tempo, discreto, querido por todos. Jornalista de excelência, sem nunca perder a humildade”, diz a amiga Brisa Teixeira, ressaltando como ele encarou as dificuldades motoras com naturalidade.
As limitações físicas começaram na infância, após uma poliomielite. Adulto, depois de uma queda e fratura nas pernas, ficou em cadeira de rodas. Mesmo assim, foi alegre e corajoso, como conta a amiga Lorena Klenk, destacando a foma respeitosa com que ele tratava todos. “Era generoso, afetuoso, gentil e inteligente.”
A mulher, Regina Javorski, observa o quanto Jorge adorava a profissão, desde a adolescência em Curitiba, onde nasceu e viveu. “Amava Curitiba e o Paraná, assim como a família e os amigos. Também gostava muito de música e filmes. Foi marido e pai amoroso e cuidadoso”, diz ela.
O filho, Bruno Javorski, recorda do pai presente e animado em todos os momentos, até nas brincadeiras de infância que requeriam movimentos. “Brincávamos dentro e fora de casa. Ele me levava para passear, e quando a gente ia jogar bola, ele fazia um força tremenda. Segurava na minha calça, puxava com a mão a barra da calça para poder chutar a bola junto comigo. Isso me marcou muito, pois sempre queria estar presente.”
Apaixonado pelo Paraná Clube e por MPB, também adorava rock, assim como uma boa reunião entre amigos. “Sempre conseguia animar os ambientes em que chegava. E conseguia reunir colegas de opiniões políticas muito diferentes, sendo muito querido por todos”, conclui o filho.
Jorge morreu em 22 de janeiro de 2026, aos 65 anos, de câncer no pâncreas. Deixa a mulher, um filho, um irmão e seis sobrinhos.
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