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Juros do consignado privado atingem pico em fevereiro – 30/03/2026 – Economia

by Silas Câmara

A taxa média de juros do consignado privado atingiu o pico de 59,4% ao ano em fevereiro, uma alta mensal de 2 pontos percentuais, mostram dados divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira (30). Em 12 meses, a elevação foi de 18,5 pontos percentuais.

O patamar é superior ao praticado no mercado antes da implementação da modalidade do consignado para trabalhadores com carteira assinada, lançada pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em março do ano passado. Na época, ficava ao redor de 40% ao ano.

Outra modalidade que registrou alta foi a do rotativo do cartão de crédito, com taxa média de juros de 435,9% ao ano cobrada pelos bancos de pessoas físicas em fevereiro. Houve um aumento de 11,4 pontos percentuais na variação mensal.

Como mostrou a Folha, o governo quer mudanças para reduzir o custo do crédito rotativo. Na última quinta (26), Lula disse ter mandado o Ministério da Fazenda elaborar propostas.

O maior endividamento das famílias é motivo de preocupação por parte do presidente Lula, que teme impacto sobre sua popularidade em ano eleitoral.

No crédito com recursos livres, a inadimplência subiu 0,2 ponto percentual em fevereiro e alcançou 5,5%, com aumentos equivalentes nas carteiras de pessoas físicas (6,9%) e de pessoas jurídicas (3,3%) . O crescimento da inadimplência no período recente, contudo, reflete em partes a mudança nas regras de contabilização, vigentes desde janeiro.

O endividamento das famílias situou-se em 49,7% em janeiro, permanecendo estável no mês e aumentando 1,1 ponto percentual em 12 meses. O comprometimento de renda subiu 0,1 ponto percentual no mês, alcançando 29,3%.

Na semana passada, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou que as taxas de juros cobradas no rotativo do cartão de crédito são punitivas e defendeu uma discussão estrutural sobre a criação de alternativas mais adequadas aos brasileiros.

Desde janeiro de 2024, está em vigor a norma que estabelece que a dívida de quem atrasa o pagamento da fatura do cartão de crédito não pode superar o dobro do montante original. Isso significa que a taxa de juros é limitada a um teto de 100% do valor da dívida contraída. Esse modelo é conhecido no jargão econômico como “muro inglês”.

Questionado por jornalistas se a medida não se mostrou eficaz após dois anos de implementação, Galípolo disse que o “muro inglês cumpriu seu papel”, mas que “talvez a extensão dessa política precise ser ponderada”.

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