A Justiça federal dos Estados Unidos rejeitou três ações movidas contra o escritor britânico Neil Gaiman e sua então esposa, a compositora americana Amanda Palmer. Todas foram movidas pela neozelandesa Scarlett Pavlovich, ex-babá do filho do casal, que acusa o autor de agressão sexual, coerção e tráfico humano.
A decisão, segundo a agência de notícias Associated Press, não analisa o mérito das acusações, mas conclui que os tribunais americanos não têm jurisdição sobre o caso, que deveria ser tratado na Nova Zelândia, onde os fatos teriam ocorrido.
Segundo as ações judiciais, Pavlovich conheceu Amanda Palmer em Auckland, em 2020, quando tinha 22 anos e vivia em situação de vulnerabilidade. Convidada para a casa do casal na ilha de Waiheke, na Nova Zelândia, acabou se tornando babá do filho deles. Ela afirma que os abusos começaram em 2022, quando ela conheceu o autor, e continuaram enquanto ela trabalhava para a família.
A ex-babá sustenta ainda que Palmer tinha conhecimento do comportamento do marido e a teria exposto deliberadamente a ele. Ela pede indenização de ao menos US$ 7 milhões.
Pavlovich entrou com processos simultâneos em fevereiro de 2025 nos estados de Wisconsin, Massachusetts e Nova York, nos EUA. Gaiman mantém uma residência em Wisconsin, enquanto Palmer vive em Massachusetts. A ação em Nova York foi retirada pela própria autora do processo após ela alegar dúvida sobre qual estado teria competência para julgar o caso, já que Palmer havia se mudado recentemente.
Antes disso, em maio, Pavlovich já havia desistido de parte da ação em Wisconsin que envolvia Palmer. Em outubro, a Justiça do estado rejeitou o restante do processo em WIsconsin, afirmando que o foro adequado seria a Nova Zelândia. Na sexta-feira (6), um juiz de Boston tomou decisão semelhante ao extinguir o processo em Massachusetts.
O caso de Pavlovich faz parte de um conjunto mais amplo de acusações que vieram a público a partir do podcast “Master”, que tratou da acusação, lançado em julho de 2024. Desde então, Gaiman tem enfrentado consequências profissionais, como o rompimento de contratos editoriais e o cancelamento de adaptações audiovisuais de suas obras.
Neil Gaiman nega todas as acusações de violência sexual de Pavlovich e de mais sete mulheres que já o acusaram publicamente de assédio, coerção e abuso sexual. Ele diz que nunca manteve relações sexuais não consensuais, e seus advogados afirmam que o relacionamento com Pavlovich foi breve e consensual. Segundo eles, a polícia da Nova Zelândia investigou as denúncias e não encontrou fundamento para levá-las adiante.
Em abril de 2025, o próprio Gaiman abriu uma ação contra Caroline Wallner, que afirma ter sido coagida sexualmente enquanto morava na casa do escritor e trabalhava como zeladora. Ele pede US$ 500 mil alegando que Wallner violou um acordo de confidencialidade firmado em 2021, pelo qual ela teria recebido US$ 275 mil para não falar publicamente sobre o relacionamento que tiveram.