O ditador Kim Jong-un foi proclamado reeleito líder supremo da Coreia do Norte, informou a imprensa estatal KCNA na manhã desta segunda-feira (23).
“A Assembleia Popular Suprema da RPDC [República Popular Democrática da Coreia] reelegeu o camarada Kim Jong Un como presidente de Assuntos de Estado da República Popular Democrática da Coreia na Primeira Sessão, a primeira atividade de assuntos de Estado de seu 15º mandato, em 22 de março”, diz a KCNA.
A eleição teria refletido “a vontade e o desejo unânimes de todo o povo coreano”, e teria alçado à liderança “o mais proeminente pensador e teórico do mundo atual, o grande estrategista da construção do Estado e o grande mestre da criação e da mudança”.
As eleições no país são vistas como planejadas e predeterminadas, e a solenidade na Assembleia Popular Suprema de Pyongyang serviria apenas para criar um verniz democrático sobre o processo.
Kim está no cargo à frente da isolada nação norte-coreana desde 2011, quando assumiu pela primeira vez em decorrência da morte de seu pai. Ele representa a terceira geração do Estado comunista fundado pelo avô, Kim Il-sung, em 1948.
Imagens divulgadas pela KCNA mostram o momento em que o ditador foi aplaudido por parlamentares no prédio da Assembleia, à frente das estátuas gigantes do pai e do avô. Destaca-se a predominância de homens.
A escolha da liderança do país ocorreu após a definição dos 687 deputados que farão parte da Casa. Na ocasião, cidadãos puderam aprovar ou rejeitar os candidatos indicados pelo Partido dos Trabalhadores.
Segundo a mídia estatal, “99,93% votaram nos candidatos e 0,07% votaram contra”, com uma taxa de presença de 99,99%.
O líder conduz o país com mão de ferro e vive um momento em que é pressionado por outras nações, especialmente os Estados Unidos, pela sua desnuclearização —assunto que o próprio ditador já afirmou estar fora de cogitação.
Kim também alterou a forma como trata a Coreia do Sul nos últimos anos, chegando a afirmar, em janeiro de 2024, que a nação é a principal inimiga e um Estado hostil, segundo a KCNA.
As autoridades de Seul vivem em constante alerta com inúmeros treinamentos militares e disparos de mísseis que ocorrem nas proximidades dos dois países, com o presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, alertando que um conflito acidental entre as nações pode ocorrer a qualquer momento.
A cerimônia que novamente coroou Kim aconteceu em meio a dúvidas sobre quem o sucederá, com as apostas recaindo sobre a filha adolescente, conhecida como Kim Ju-ae, que acompanha o pai em diversos eventos pelo país e teve sua presença intensificada em 2025.
A menina, com cerca de 13 anos, participou de lançamentos de mísseis, paradas militares, eventos do partido, inspeções a fábricas e até acompanhou o ditador em visita oficial a Pequim em setembro de 2025 —sua primeira aparição pública no exterior.
Na semana passada, a KCNA divulgou fotos dela dirigindo um tanque de guerra ao lado do pai e de outros três militares. A jovem também já foi fotografada atirando com uma pistola.
Não há confirmação oficial de seu nome ou idade por parte do Estado norte-coreano.