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Ladrão de obras raras ataca instituto em SP – 19/03/2026 – Ilustrada

by Silas Câmara

O ladrão de livros e gravuras raras Laéssio Rodrigues de Oliveira voltou a atacar em São Paulo. Mas desta vez não levou nada embora, já que foi reconhecido a tempo pelo presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP), João Tomás do Amaral.

O caso, que ocorreu há três semanas, levou o instituto a interromper o acesso à pesquisa no momento. “Hoje ninguém mais entra aqui para pesquisar nada. Fechado para todo mundo”, afirmou Amaral.

Laéssio é um confesso ladrão de milhares de obras raras em bibliotecas e museus brasileiros a partir dos anos 1990. Foi preso diversas vezes e foi objeto de um documentário exibido pelo Globoplay, “Cartas para um Ladrão de Livros”, de Caio Cavechini e Carlos Juliano Barros.

Em 2018 e 2019, ele foi objeto de uma série de reportagens na Folha, após escrever uma carta ao jornal denunciando que algumas gravuras de Emil Bauch, expostas no Itaú Cultural de São Paulo, tinham sido furtadas por ele próprio da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro 15 anos antes.

O ataque recente aconteceu em 27 de fevereiro, quando, disfarçado com uma máscara descartável de hospital, Laéssio se apresentou como um pesquisador capixaba no instituto. Foi bem recebido, como qualquer outro.

“Levei-o ao meu gabinete e conversamos durante uma hora e meia, trocando ideias, falando tecnicamente de temas das revoluções de 1924, de 1932, de outros interesses dele. A conversa foi técnica. História, acervos, pretensões de pesquisa”, contou Amaral.

“‘Estamos pesquisando sobre 1932’, disseram os visitantes”, seguiu o presidente. “Eram três, mas os outros dois não falaram praticamente nada. Só falaram quando eu perguntei o nome deles. Um se identificou como Leandro, a menina se identificou como Lorena. Laéssio pediu para chamá-lo de Oliveira.”

É de fato seu sobrenome, mas durante o encontro, não houve confirmação formal de identidade. O presidente afirmou que reconheceu Laércio Rodrigues “pelas circunstâncias” e pelo histórico no meio de preservação de acervos.

Após a conversa, os três foram ao espaço expositivo dedicado à Revolução de 1932. A visita foi acompanhada por integrantes da instituição e durou pouco tempo. Segundo Amaral, Laéssio pode ter percebido que foi reconhecido e o grupo deixou o local rapidamente após a ida ao espaço.

Não houve furto, segundo Amaral. “Não teve materialidade”, disse. O acesso ficou restrito às áreas de visitação, sem contato com livros ou documentos do acervo.

O presidente afirmou que o instituto já havia recebido alertas de outras bibliotecas sobre a circulação do grupo em instituições do país, incluindo registros recentes no Rio de Janeiro durante o período do Carnaval.

Há quatro dias, o jornal carioca O Globo, publicou uma nota informando que Laéssio “foi visto rondando instituições culturais do Rio”.

Após o episódio, o instituto decidiu fechar o acesso ao público e restringir pesquisas. Segundo o presidente, a medida busca proteger o patrimônio da instituição. O instituto também reforçou o controle interno e passou a contar com atenção do policiamento no entorno.

“Infelizmente hoje qualquer pesquisador que vier aqui, real ou não, não entra mais. Pesquisa, hoje, só de uma maneira muito determinada”, afirmou Amaral.

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