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Lollapalooza: Sabrina Carpenter algema Luísa Sonza em show – 20/03/2026 – Ilustrada

by Silas Câmara

A primeira música a tocar no show de Sabrina Carpenter nesta sexta (20), no Lollapalooza Brasil, é “If It Wasn’t for the Night”, do ABBA. E sua primeira aparição é no telão, apresentando um jornal antigo de TV. De terninho rosa, ela é pega no flagra bebendo de uma taça de martíni. “Arrumem outra caipirinha para essa garota”, diz, rindo.

Ela só sobe no palco depois que os bailarinos arrumam o backstage do programa pendurando roupas e arrastando araras de lá para cá. Com tudo em ordem, a americana surge cantando “Busy Woman” com um collant amarelo brilhante e em cima de um letreiro luminoso com suas iniciais. Uma onda de gritos preenche o Autódromo de Interlagos —a primeira de muitas.

Da plateia, os fãs fiéis de Carpenter responderam com a ansiedade de quem chegou ainda de manhã, antes mesmo de os portões se abrirem, e passou o dia circulando com seus chapéus rosa, tatuagens falsas de beijinho e perucas loiras que imitavam o cabelo da artista.

A devoção foi tanta que, em shows anteriores ao da americana, foi comum ver trocas de farpas entre fãs dela e de outros artistas que tocaram no mesmo lugar. Para “reservar” seu espaço, os seguidores passaram apresentações sentados ou deitados, dificultando a locomoção ao redor do palco.

Com o clima já apaziguado, restou achar graça do bom humor de músicas como “Taste”, a primeira do álbum “Short n’ Sweet”, de 2024, que fez sua carreira engrenar. Em meio a dançarinos, a americana canta para a namorada do ex que soube que os dois reataram. “Se isso for verdade”, ela diz, “você vai ter que sentir o meu gosto quando estiver beijando ele”. Em “Good Graces”, que vem em seguida, diz que ninguém é melhor que ela em transformar amor em ódio.

A nostalgia do jornal e o deboche das letras resumem bem o que Carpenter representa na música atual. Ao lado de nomes como Chappell Roan, que encabeça o festival neste sábado, e de Olivia Rodrigo, que foi atração principal da edição de 2025, ela integra uma toada de cantoras que recuperam um pop divertido, debochado, que cria quase uma piada interna com quem o escuta.

As letras dela encapsulam a juventude, relatos de romances falidos, críticas a homens e tesão, muito tesão. Esse combo faz com que, ao longo da noite, frases como “te desejo uma vida de cheia de felicidade e nada de sexo” sejam cantadas em coro, com isqueiros e lanternas para cima, como se fosse a mais romântica das baladas.

Sonoramente, Carpenter recheia seu pop com muitos acenos aos sintetizadores dos anos 1980. “House Tour” e o hit “Please Please Please” são os melhores exemplos —cortesias de Jack Antonoff, produtor estrela que trabalhou com ela nos dois últimos álbuns.

Mas ela também passeia pelo country em hits como “Manchild”, primeiro single do disco “Man’s Best Friend”, do ano passado, pelas guitarras indie e até por uma energia folk em certos momentos.

O caminho da artista de 26 anos até o palco principal do Lollapalooza não foi fácil e nem rápido —são 11 anos desde o primeiro trabalho lançado, e isso certamente foi fundamental para deixar a performance de Carpenter afiada a ponto de segurar o tranco de um topo de lineup no Brasil.

Ela guia o show com interações carismáticas com o público. Balança bandeira do país, tenta entender as palavras em português que são gritadas e brinca que os fãs brasileiros são muito distrativos.

Em “Juno”, que fala sobre algemas rosas de pelúcia, faz a cena típica de sua turnê em que prende algum famoso da plateia. A escolhida do Brasil foi a cantora Luísa Sonza, vaiada por parte da plateia e celebrada pela outra quando apareceu no telão.

Mesmo quando deixa o palco para trocar de roupa, a apresentação mantém o bom humor com propagandas antigas, como num Polishop vintage que oferece ventiladores, colchões e um spray de cabelo que repele homens imaturos.

Se uma das coisas mais preciosas da música ao vivo é assistir à apresentação de um artista em seu auge, como foi o caso desta noite, os seguidores brasileiros da cantora atingiram um paraíso duplo no Lollapalooza —o de vê-la cantar em quase todos os momentos de sua carreira musical, já que ela esteve no Brasil em quatro ocasiões desde 2017.

Guardadas as devidas proporções, a cantora tem uma trajetória bem diferente que os das divas pop com quem divide o lineup desta edição do Lollapalooza.

Lorde, que toca no domingo, decolou já com o primeiro single que lançou, “Royals”, em 2013.

Chappell Roan cantou por quase uma década antes de lançar o disco de estreia, “The Rise and Fall of a Midwest Princess”, em 2023, mas com ele chegou ao topo. Para Addison Rae, que também faz show no último dia, e foi ainda mais rápido: da ascensão no TikTok ao lançamento do primeiro álbum homônimo de 2025 foram seis anos.

Carpenter fez o caminho mais longo, mas também reconhecível no mundo pop. Começou como atriz mirim da série policial “Law and Order”, postava covers de músicas no YouTube e ficou em terceiro lugar num concurso que procurava a próxima Miley Cyrus.

Depois entrou para a Disney, onde atuou em sitcoms e lançou álbuns —o primeiro com certo sucesso foi o quinto, “Emails I Can’t Send”, de 2022. Desta era, ele é o único que tem músicas que aparecem no show, como “Because I Liked a Boy”.

Mas as coisas mudaram mesmo para ela com o lançamento de “Espresso”, primeiro single dela sob a assinatura da Universal. A música foi a mais ouvida de 2024 no Spotify e Carpenter recebeu duas estatuetas do Grammy, uma para a música e outra para “Short n’ Sweet”.

Foi ela que fechou o show desta sexta, selando no autódromo o clima de um show tratado pelo público como uma apresentação solo em estádio. O jornal de Sabrina Carpenter acabou, e as notícias dadas por ela agradaram bem mais que as do mundo real.

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