O presidente Lula demonstrou irritação e contrariedade com a repercussão que a homenagem feita a ele pela escola de samba Acadêmicos de Niterói, do Rio de Janeiro, está tendo na imprensa.
Antes ainda do desfile, diversas reportagens afirmavam que ministros do Palácio do Planalto e lideranças do PT estavam preocupados com a repercussão da homenagem, inclusive do ponto de vista jurídico.
Depois do Carnaval, emergiram informações de que o governo estava alarmado. Como mostrou a Folha, aliados de Lula receberam pesquisas mostrando que a repercussão imediata ao desfile na internet foi negativa para o presidente.
Pesquisas às quais o Planalto teve acesso também teriam mostrado que ela foi desastrosa para a imagem do governo entre os evangélicos. E que, diante disso, o palácio trabalhava para estancar o que seria uma crise.
De acordo com relatos feitos à coluna, Lula está desconfortável com o que entende ser uma tentativa de pessoas da própria administração e do PT de atribuirem à escola algo sobre a qual ela não tem qualquer responsabilidade: oscilações negativas na avaliação do governo.
O presidente já afirmou a interlocutores, segundo relatos, que está emocionado e extremamente grato à agremiação.
Em sua opinião, os sambistas têm que ser reconhecidos e admirados pela coragem que tiveram em homenageá-lo em um momento de polarização do país, expondo-se a reações contrárias.
Ele critica também o fato de integrantes da própria administração alimentarem uma crise, em sua opinião, inexistente, transformando algo positivo _ uma homenagem que considera histórica _em um peso para o governo.
Na visão do presidente, e de alguns auxiliares diretos, o seu Carnaval foi, na verdade, um sucesso: Lula se expôs a multidões sem maiores problemas.
“Ele passou por Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro sem ouvir vaias. Ao contrário, em muitos momentos foi aplaudido e ovacionado”, diz um interlocutor do presidente.O mesmo interlocutor ressalta que, em Pernambuco, o presidente foi “disputado” por dois candidatos ao governo: João Campos (PSB-PE) e Raquel Lyra (PSD-PE).
No Rio, foi reverenciado pelo prefeito Eduardo Paes (PSD-RJ), que há alguns meses ensaiou uma aproximação com bolsonaristas do estado.
Além disso, todos os cuidados foram tomados para que o presidente não enfrentasse problemas com a Justiça Eleitoral por causa da homenagem da Acadêmicos de Niterói. Nenhum ministro saiu na avenida, e mesmo a primeira-dama, Janja da Silva, abriu mão de desfilar para evitar questionamentos jurídicos.
O ministro da Secretaria de Comunicação do Governo, Sidônio Palmeira, afirma que “o Palácio se preocupa com questões do governo” e que “não há ninguém criticando a escola nem a homenagem” entre os ministros palacianos.
Ele afirma ainda “estranhar que pessoas que não são do Palácio falem em nome do Palácio”.
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