Depois de algumas rodadas de sinfonias de leques e um atraso de pouco menos de dez minutos, Marina —só isso, sem Lima ou Sena acompanhando o nome— foi a primeira artista internacional a subir no palco principal do Lollapalooza Brasil neste sábado (21).
O público estava atipicamente cheio para o horário, um sinal de que, após algumas edições mais esvaziadas, o festival parece ter achado o segredo para atrair um público mais dedicado. E ele certamente está nas divas pop que preenchem o line-up desta edição.
É certo que Marina —se você quiser um sobrenome ele é Diamandis, embora ela não o use– nunca foi uma diva pop clássica. Sua carreira de 17 anos a fez conquistar o posto de uma artista esquisitinha demais para ser uma diva e maximalista demais para ser alternativa. Mas ela conquistou sua fatia de admiradores, como ficou claro no show desta tarde e nas outras vezes em que ela tocou no Lolla, em 2016 e 2022.
Quatro anos depois, ela volta ao festival com o novo “Princess of Power”, lançado no ano passado pela gravadora que ela mesma criou para se tornar uma artista independente, a “Queenie Records LLC”.
O disco, inspirado pela obra de artistas como Madonna, Kylie Minogue e ABBA, segue a identidade teatral da galesa, mantendo espaço para sua voz grave que acompanha o synth pop de sua música e letras sobre empoderamento feminino e romances.
Ela adota uma narrativa de videogame no show. Ele começa com uma narração e gráficos à la “Star Wars” desejando boas vindas ao universo “Princess of Power” com uma bonequinha da cantora como personagem. Da plateia, o público rapidamente começa a chamá-la de mãe.
Faixas do novo trabalho, como “Cupid’s Girl”, “Cuntissimo” e “Metallic Stallion” —que foi mesclada com “Hung Up”, de Madonna— foram bem recebidas e comemoradas, mas é com as mais antigas, em especial as de seu álbum mais adorado, “Electra Heart”, de 2012, que o show dela engrena de verdade.
Foi assim com “Bubblegum Bitch”, que motivou mais uma rodada de lecadas, “Primadonna”, a mais cantada do show, e “Fruit”, do álbum homônimo de 2015. Mas Marina deixou para o fim uma faixa nova, “I <3 You”, que encerrou a apresentação sem seu maior hit, “How to Be A Heartbreaker”. Certamente alguns corações foram partidos.