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Marte: rover coleta evidência antiga de fluxo de água – 20/03/2026 – Ciência

by Silas Câmara

O rover Perseverance, da Nasa, detectou vestígios subterrâneos de um antigo delta de rio em Marte, segundo pesquisa publicada na última quarta-feira (18) na revista Science Advances. Essa é uma das evidências mais antigas já obtidas mostrando como a água fluiu na superfície do planeta vermelho.

Os autores do estudo afirmaram que o rover revelou características geológicas a até 35 metros de profundidade ao atravessar 6,1 quilômetros de terreno na cratera Jezero. Acredita-se que essa área, no hemisfério norte marciano, abrigou água.

Foram identificadas camadas de sedimentos e superfícies erodidas indicativas de um ambiente de delta —um depósito de sedimentos formado no local onde um rio deságua em um corpo d’água maior, como um lago.

Os cientistas estimaram que o delta, hoje soterrado, existiu entre 3,7 bilhões e 4,2 bilhões de anos atrás. Marte, assim como a Terra, formou-se há 4,5 bilhões de anos, o que significa que esse delta surgiu relativamente cedo na história marciana.

O antigo delta, ainda segundo os pesquisadores, é anterior a uma formação de superfície semelhante nas proximidades, chamada delta ocidental, que data de cerca de 3,5 bilhões a 3,7 bilhões de anos atrás.

O instrumento do rover que permitiu o novo estudo é o Rimfax. O equipamento envia pulsos de radar para baixo e registra aqueles que retornam após refletirem em estruturas subterrâneas. Isso permite um mapeamento tridimensional do subsolo.

As novas descobertas se baseiam nos dados mais profundos já obtidos pelo instrumento. Eles foram coletados entre setembro de 2023 e fevereiro de 2024.

“A partir das características mapeadas pelo Rimfax, acreditamos que a cratera Jezero abrigou um antigo ambiente rico em água, capaz de preservar bioassinaturas”, disse a cientista planetária Emily Cardarelli, da UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles), nos Estados Unidos. Ela é a autora principal do novo estudo.

Uma bioassinatura se refere a evidências químicas ou físicas que indicam vida passada ou presente.

Na Terra, os deltas de rios são locais que concentram sedimentos e criam nichos favoráveis à vida microbiana.

No ano passado, cientistas anunciaram que uma amostra de rocha obtida pelo Perseverance na mesma cratera continha uma potencial bioassinatura sugestiva de vida microbiana antiga, embora os minerais na amostra também possam se formar por processos não biológicos. A rocha foi datada em aproximadamente 3,2 bilhões a 3,8 bilhões de anos atrás.

O rover da Nasa vem explorando a Jezero desde 2021. Cientistas dizem acreditar que canais de rio transbordaram sobre a parede da cratera e criaram um lago.

“É muito empolgante que o Rimfax tenha conseguido fornecer uma visão tão detalhada desses depósitos”, afirmou o cientista David Paige, cientista planetário da UCLA e coautor do estudo. Ele também é membro da equipe científica do rover Perseverance.

“Isso reforça ainda mais a noção de que o radar de penetração no solo é, de fato, uma ferramenta nova extremamente valiosa para estudar a geologia planetária”, acrescentou Paige.

Também no ano passado, cientistas chineses disseram que o radar de penetração no solo utilizado pelo rover Zhurong detectou evidências subterrâneas do que parecem ser praias arenosas da linha costeira de um oceano que pode ter existido nas planícies do norte marciano.

“Marte é diverso, e cada missão de rover revela mais uma peça de seu passado intrigante e do desenvolvimento inicial do nosso vizinho rochoso”, afirmou Cardarelli.

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