O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, disse à sua noiva Martha Graeff que se encontrou com o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), na noite de 29 de agosto do ano passado, quando o BRB negociava a compra da instituição.
A reunião, segundo Vorcaro, era para combinar “uma estratégia de guerra”. “A partir de segunda iremos para o ataque”, disse.
A conversa consta em documentos obtidos pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
As informações contradizem o que o governador disse sobre os encontros com Vorcaro. De acordo com Rocha, foram quatro encontros nos quais ele teria entrado mudo e saído calado.
Ainda segundo o governador, a compra do Master pelo BRB (Banco Regional de Brasília) não foi discutida em nenhuma das ocasiões. Segundo Ibaneis, tudo era conduzido pelo ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
O governador negou ter discutido a operação com Vorcaro após o ex-banqueiro ter afirmado no depoimento dado à PF (Polícia Federal) ter conversado com ele sobre o assunto.
Questionado sobre o teor das mensagens nesta quinta-feira (5), Rocha disse que nunca tratou com Vorcaro “nada sobre a aquisição. Toda a negociação ficava a cargo do Paulo Henrique”.
“As vezes que me encontrei com ele foram rápidas e na maioria delas nós cumprimentávamos e em seguida ele viajava”, acrescentou.
No depoimento, o ex-banqueiro afirmou que tratou do assunto da venda com o governador “em algumas poucas oportunidades”, com a participação de outras pessoas. Disse ainda que Ibaneis já esteve na casa dele e que ele também já foi à residência do governador.
“Conversei em algumas poucas oportunidades, sim”, disse Vorcaro, ao ser questionado se havia conversado com Ibaneis sobre a venda do Master para o BRB.
O encontro revelado nas mensagens de Vorcaro para a noiva aconteceu na semana anterior à reprovação da compra do Master pelo BRB, divulgada pelo BC (Banco Central) em 3 de setembro de 2025.
O momento era crucial. Na época, informações que circulavam em Brasília diziam que a decisão seria tomada logo e a reprovação da operação era o caminho mais provável, daí a necessidade de uma “estratégia de guerra” por parte de Vorcaro e Rocha para tentar viabilizar a operação.
A compra do Master pelo BRB foi anunciada em março de 2025. No período entre a divulgação do negócio e sua reprovação, Vorcaro negociou com o BC soluções que poderiam viabilizar a operação, mas sem sucesso.
Desde que a junção dos dois bancos foi negada, o Master foi liquidado e Daniel Vorcaro foi preso duas vezes, a última na quarta-feira (4) sob suspeita de tentar obstruir investigações.
Uma das apurações trata da venda de R$ 12 bilhões em créditos fraudulentos do Master para o BRB. Por causa das perdas causadas pelo banco de Vorcaro, o BRB busca um aporte de recursos.
Outro assunto sob análise da PF é a participação oculta do Master no capital do banco do DF, que chegou a 24% em 2025.
Os dois tópicos são flancos abertos na tentativa de Ibaneis Rocha de se eleger senador e emplacar a vice-governadora Celina Leão (PP) como sua sucessora no Palácio do Buriti. Rocha tem até abril para se descompatibilizar do cargo caso decida concorrer ao Legislativo federal.