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Merck compra Terns por US$ 5,7 bi; veja detalhes – 26/03/2026 – Economia

by Silas Câmara

A farmacêutica Merck fechou um acordo de US$ 5,7 bilhões (R$ 29,7 bi) para comprar a Terns Pharmaceuticals, empresa de biotecnologia dos Estados Unidos que desenvolve tratamentos para uma forma rara de câncer no sangue e nos ossos. A aquisição faz parte da estratégia mais recente da companhia para reforçar sua linha de novos medicamentos em desenvolvimento, num momento em que seu principal remédio contra o câncer, o Keytruda, caminha para perder a patente.

A farmacêutica sediada em Nova Jersey tem feito uma série de aquisições na tentativa de se antecipar à expiração da patente do Keytruda, que gera US$ 30 bilhões (R$ 156,8 bi) por ano, prevista para 2028. No ano passado, a empresa adquiriu a Verona Pharma, fabricante de medicamentos respiratórios, por US$ 10 bilhões (R$ 52,2 bi), e a Cidara Therapeutics, biotecnológica de prevenção de gripe, por US$ 9,2 bilhões (R$ 48 bi).

A Merck tem se destacado como a compradora mais agressiva no setor de biotecnologia, enquanto a indústria farmacêutica em geral enfrenta perdas de receita estimadas em US$ 320 bilhões (R$ 1,6 tri) devido ao fim da proteção de patentes de medicamentos entre agora e 2030.

Os investidores têm recompensado a empresa, com suas ações subindo 38% desde a aquisição da Verona em julho passado, o que lhe confere um valor de mercado de US$ 287 bilhões (R$ 1,5 tri) até o fechamento do pregão de terça-feira (24).

A Merck anunciou na quarta-feira (25) que está comprando a Terns por US$ 53 (R$ 277) por ação em dinheiro, um prêmio de 31% sobre o preço médio das ações da empresa de biotecnologia nos últimos 60 dias, avaliando o patrimônio da empresa em US$ 6,7 bilhões (R$ 35 bi). Devido à sua reserva de caixa de US$ 1 bilhão (R$ 5,2 bi), o acordo confere à Terns um valor de empresa de US$ 5,7 bilhões (R$ 29,7 bi).

A aquisição é uma aposta no tratamento em estágio inicial da Terns, sediada na Califórnia, para leucemia mieloide crônica, ou LMC —uma forma rara de câncer que afeta a corrente sanguínea e a medula óssea, causada por uma mutação genética.

O presidente-executivo da Merck, Rob Davis, disse que o acordo “diversifica e fortalece ainda mais nossa posição em oncologia”, área em que o grupo é líder de mercado. Ele acrescentou que a empresa continuará buscando oportunidades em outras áreas terapêuticas para ampliar seu pipeline.

O principal medicamento da Terns, conhecido como TERN-701, pode contribuir para substituir o atual medicamento preferencial para LMC, o Scemblix, vendido pela rival da Merck, a Novartis.

O tratamento pode representar “uma receita de vários bilhões de dólares para a Merck, na segunda metade da década”, alinhando-se com a perda da exclusividade de patente do Keytruda, segundo Evan Seigerman, analista de biotecnologia da BMO Capital Markets.

A Terns deve iniciar ensaios de fase avançada no final deste ano ou no início de 2027. Os EUA registraram aproximadamente 9.560 novos casos de LMC no ano passado. Nos países do G7, cerca de 93 mil pacientes foram tratados para a doença em 2024, segundo a Novartis.

“A Terns seria uma incorporação natural ao portfólio oncológico existente da Merck, provavelmente permitindo que a empresa forneça sua expertise em design e execução de ensaios oncológicos para aproveitar ao máximo o TERN-701 na leucemia mieloide crônica”, acrescentou Seigerman em uma nota.

A aquisição da Terns deve ser concluída no segundo trimestre de 2026, informou a Merck. As ações da Terns aumentaram pelo menos cinco vezes desde que a biotecnológica divulgou dados clínicos positivos em outubro passado. A Merck deve ter um ano movimentado, com várias leituras de dados clínicos de fase três e medicamentos chegando ao mercado, e já está em busca de outros acordos significativos.

Em janeiro, a Merck estava em negociações para comprar a Revolution Medicines, biotecnológica de câncer, em um acordo que poderia ser avaliado em até US$ 32 bilhões (R$ 167,2 bi), informou o FT. Mas a farmacêutica desistiu após semanas de conversas, disseram pessoas familiarizadas com o assunto.

Na conferência de saúde do J.P. Morgan em janeiro, Davis disse que a Merck estava de olho em mais acordos para desbloquear inovação científica. Ele acrescentou que “a faixa de até US$ 15 bilhões (R$ 78,4 bi) é nosso ponto ideal”, mas que estaria aberto a aquisições ainda maiores.

O índice de biotecnologia XBI subiu 34% no último ano, com o setor impulsionado pelo aumento da atividade de fusões e aquisições. Entre os acordos fechados está o da Gilead, que este ano concordou em pagar US$ 7,8 bilhões (R$ 40,7 bi) para comprar a biotecnológica oncológica Arcellx, com a qual já tinha uma parceria existente.

Centerview e Jefferies atuaram como assessores financeiros da Terns, enquanto a Freshfields prestou assessoria jurídica à biotecnológica.

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