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Morre Frederick Wiseman, reverenciado documentarista – 16/02/2026 – Ilustrada

by Silas Câmara

Frederick Wiseman, cineasta cujas explorações objetivas das instituições sociais e culturais formam um dos conjuntos de obras mais reverenciados do documentário americano, morreu nesta segunda-feira, aos 96 anos. Ele foi um dos diretores mais influentes do cinema de não-ficção.

Sua família anunciou a morte por meio da Zipporah Films, distribuidora que ele fundou em 1971 em Harpswell, no estado do Maine. A empresa não informou a causa nem o local da morte, mas afirmou que ele “considerava Cambridge, Massachusetts; Northport, Maine; e Paris, França” como seus lares.

Wiseman, que recebeu um Oscar honorário em 2016, sempre rejeitou categorizações de seu trabalho. “Gosto de chamá-los de filmes” em vez de documentários, dizia, porque considerava a palavra documentário limitante.

Embora negasse que seus filmes tivessem agenda política, não era estranho às controvérsias. Sua estreia na direção, “Titicut Follies” (1967), um retrato angustiante do Hospital Estadual de Bridgewater para criminosos com doenças mentais em Massachusetts, continua sendo o único filme já banido nos Estados Unidos por razões que não sejam obscenidade, imoralidade ou segurança nacional.

A proibição, imposta por Massachusetts sob a alegação de que o filme violava a privacidade dos internos no hospício, foi suspensa em 1991, e o filme foi posteriormente exibido na rede PBS.

Seus últimos filmes estiveram entre os mais bem recebidos. O romancista Jay Neugeboren, na The New York Review of Books, chamou “In Jackson Heights” (2015), um retrato de um dos bairros mais diversos dos EUA, no Queens, em Nova York, de “o mais rico em detalhes e suntuosamente belo” dos documentários de Wiseman.

Em sua crítica de “Ex Libris: The New York Public Library” (2017) para o The New York Times, Manohla Dargis o considerou “um dos maiores filmes da extraordinária carreira do Sr. Wiseman e um dos mais emocionantes”.

Wiseman lançou também “Monrovia, Indiana” (2018), um estudo sobre uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos; “City Hall” (2020), um projeto de longa duração que examina a burocracia urbana em Boston, sua cidade natal, com quatro horas de duração; e “Menus-Plaisirs – Les Troisgros” (2023), uma análise minuciosa de quatro horas de um restaurante francês com três estrelas Michelin e da família que o administra.

“Titicut Follies” tornou-se o modelo estilístico para os filmes seguintes de Wiseman, que eram desprovidos de narração e filmados com luz natural, e que frequentemente abordavam instituições públicas e os abusos que nelas aconteciam. Entre suas obras mais conhecidas estão “High School” (1968), “Welfare” (1975), “Public Housing” (1997) e “Violência Domética” (2002).

No entanto, desvendar irregularidades governamentais ou administrativas nunca foi seu objetivo.

“Existe uma suposição comum de que meus filmes são denúncias”, disse Wiseman em uma entrevista de 2011 para o New York Times, “e eu não acho que sejam”.

“Certamente, pode-se argumentar que um filme como ‘Titicut Follies’ é em parte uma denúncia, mas não seria possível fazer um filme sobre Bridgewater sem mostrar o quão horrível era.”

Ele acrescentou: “Há pessoas que pensam que, se eu não fizer um filme sobre como os pobres são explorados pelo sistema, não é um verdadeiro filme de Fred Wiseman. E acho que isso demonstra uma completa incompreensão sobre o que estou fazendo.”

Wiseman nasceu em 1930 em Boston. Seu pai, Jacob, era advogado e seu trabalho envolvia ajudar imigrantes judeus a escapar de uma Europa cada vez mais antissemita. Sua mãe, Gertrude, aspirava ser atriz, mas teve seu sonho frustrado pelo pai. O interesse de Wiseman pelo teatro foi despertado pelo talento extraordinário de sua mãe como imitadora.

Segundo suas próprias palavras, um aluno ruim que “passou o ensino médio sonhando acordado”, Wiseman frequentou o Williams College e depois a Faculdade de Direito de Yale, “porque não sabia o que mais fazer”, recordou em um ensaio autobiográfico escrito para o livro “Frederick Wiseman”, que acompanhou uma retrospectiva de sua obra no Museu de Arte Moderna de Nova York em 2010.

Outro motivo para ter escolhido Yale foi o alistamento para a Guerra da Coreia. “Até mesmo a faculdade de direito parecia, para minha mente analítica e perspicaz, uma alternativa melhor do que ir para a guerra”, escreveu Wiseman.

A faculdade de direito resultou, ainda que indiretamente, na sua carreira como documentarista. Ao sair de Yale em 1954, ele foi convocado. Tornou-se escriturário, formou-se como repórter judicial na Universidade da Virgínia. Buscando aproveitar uma norma do Exército que permitia a dispensa antecipada de soldados que planejavam estudar, candidatou-se e foi admitido na Sorbonne, estudando Direito em Paris.

Em seguida, ocupou um cargo na Faculdade de Direito da Universidade de Boston, onde Wiseman lecionou disciplinas sobre as quais, mais tarde, alegou ter pouco conhecimento —redação jurídica, medicina legal, direito de família e direitos autorais. Para compensar sua falta de especialização, ele recordou que levava os alunos em visitas de campo a lugares “onde os réus acabariam se fossem mal representados ou processados com excesso de zelo”. Um desses lugares era o hospital Bridgewater.

A única experiência de Wiseman com cinema antes de “Titicut Follies” foi como produtor de “The Cool World” (1963), um drama dirigido por Shirley Clarke e adaptado de um romance homônimo de Warren Miller, que Wiseman gostou tanto que adquiriu os direitos. A experiência de produzir esse filme, segundo ele próprio afirmou posteriormente, o convenceu a dirigir e editar seus próprios filmes.

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