Morreu nesta sexta-feira (20) o enólogo francês conhecido mundialmente Michel Rolland, 78, vítima de ataque cardíaco. A informação foi publicada nas redes sociais da vinícola de sua família.
Polêmico, Rolland já foi chamado de “o único consultor de vinho conhecido no mundo” por Eric Asimov, que assina a crítica de vinhos do jornal The New York Times.
A publicação resumia, em seu título, as duas facetas que viraram marca de Rolland: diabo, para seus detratores, que o acusam de padronizar a indústria de vinhos até o ponto de perder sua personalidade; e salvador, pela técnica que desenvolveu e empregou para ajudar vinícolas a produzirem vinhos altamente vendáveis —que têm por características serem frutados, concentrados e passarem por carvalho.
Em sua carreira, Rolland prestou consultoria para mais de 600 vinícolas em 22 países, entre elas a Miolo, no Brasil. Foi um um dos enólogos a se tornar grife, os chamados “flying winemakers”, chamados os profissionais que dão consultoria a produtores em diferentes latitudes.
Também importante, foi responsável pela internacionalização dos vinhos de Bordeaux como conhecemos hoje, tornando-os referência mundial.
Em entrevista à Folha em 2025, o enólogo disse que “se ninguém critica você, você não existe”. Àqueles que dizem que ele transformava vinhos em variações do mesmo tema, respondeu: “A quem diz que meus vinhos são superextraídos, proponho degustar às cegas. Vai ver que não é verdade. Se continuar achando que é verdade, precisa aprender a degustar”.
Rolland foi, ao lado do crítico Robert Parker, personagem do documentário “Mondovino” (2005), produção de Jonathan Nossiter que discute a uniformização do paladar do vinho no mundo. Nele, o diretor o acusa de apagar a individualidade e personalidade de vinícolas em nome da massificação da bebida.
Segundo o site das Bodegas Rolland, ele nasceu em uma família viticultores em Libourne, na França, e cresceu na propriedade da família, o Château Le Bon Pasteur, em Pomerol, bebendo os vinhos envelhecidos por seu avô.