Um braço do fundo soberano de Abu Dhabi captou quase US$ 1 bilhão (R$ 5,15 bilhões) para seu terceiro fundo voltado ao Brasil, apesar das preocupações de que a guerra no Oriente Médio levará os países do golfo Pérsico a reavaliar seus investimentos no exterior.
A Mubadala Capital informou que aportou US$ 250 milhões (R$ 1,29 bilhão) como investidor-âncora no veículo, que obteve compromissos totais de cerca de US$ 900 milhões (R$ 4,64 bilhões), garantindo o restante principalmente de clientes internacionais, incluindo fundos de pensão, family offices e fundos de capital privado.
A captação superou a meta inicial de US$ 750 milhões (R$ 3,87 bilhões), com cerca de um terço já investido em ativos como uma rede de academias, o metrô do Rio, uma rodovia pedagiada e uma universidade de medicina, informou a Mubadala Capital.
A iniciativa mostra como a subsidiária de gestão de ativos da Mubadala está redobrando suas apostas na maior economia da América Latina justamente quando a região do golfo Pérsico foi arrastada para o conflito deflagrado pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã no final de fevereiro.
“O mundo está em um estado muito complicado agora, com a guerra da Rússia, a guerra no Oriente Médio e as perspectivas ou os riscos de uma potencial recessão global…O Brasil está pelo menos começando a parecer um destino bastante interessante”, afirmou o diretor de investimentos da Mubadala Capital, Oscar Fahlgren.
A empresa já é uma grande investidora estrangeira no Brasil, com US$ 7,3 bilhões aplicados em atividades que incluem produção de biocombustíveis, uma das principais franqueadas do Burger King e a propriedade da organizadora do GP de São Paulo de Fórmula 1. Ela normalmente adquire participações controladoras em empresas em dificuldades.
À medida que o conflito com o Irã causa danos à infraestrutura de energia e outras nos países do Golfo, autoridades sugeriram que governos da região podem reavaliar seus investimentos no exterior. Mas Fahlgren disse que a Mubadala Capital não tem planos de redirecionar investimentos para sua região de origem.
A gestora de recursos, que assessora e administra US$ 430 bilhões em ativos, afirmou que a guerra não levou a uma redução no montante que estava destinando ao novo fundo, nem a um atraso no encerramento da captação.
“Continuamos a ver um apoio muito forte de nossa controladora. Não vimos nenhum efeito da turbulência atual em seu compromisso com nossos produtos ou nosso investimento, neste caso o fundo Brasil”, comentou Fahlgren.
“Não vamos redirecionar capital para o Oriente Médio… [Mas] se virmos uma oportunidade de mercado para levantar um fundo que possa contribuir ou explorar oportunidades no Oriente Médio, isso certamente é algo que poderíamos considerar”, complementou.
A Mubadala, controladora da holding, entrou no Brasil em 2012 com apoio financeiro ao ex-magnata Eike Batista, outrora uma das pessoas mais ricas do mundo, antes de seu império de energia e commodities ruir no ano seguinte.
A Mubadala Capital administra capital de terceiros no país há cerca de uma década, tendo captado US$ 322 milhões para um fundo específico do país em 2022 e US$ 710 milhões para outro em 2023.
Fahlgren disse que uma recente série de empresas brasileiras entrando em recuperação judicial ou reestruturações extrajudiciais de dívidas apresenta oportunidades potenciais. A empresa também está explorando expansão em outros países da América Latina, de acordo com o executivo.