Quem entra no saguão principal do Museu do Café, em Santos, se depara com um vitral que é um apanhado da história do café no Brasil. De autoria de Benedito Calixto, “A Epopeia dos Bandeirantes” foi concebido como um manifesto de poder para os corretores e fazendeiros que frequentavam a antiga Bolsa oficial.
O prédio foi construído como um monumento ao café –então o grande motor da economia brasileira– e celebrava o ideal de progresso e a consolidação de São Paulo como eixo político do país. Foi inaugurado em 7 de setembro de 1922, por ocasião do centenário da Independência.
O vitral ocupa o teto do antigo salão do pregão da Bolsa –o coração do imóvel– e funciona como um livro de história visual dividido em três capítulos: a Colônia ao centro; o Brasil Império à esquerda; e a República à direita. Cada seção representa um ciclo econômico que ajudou a construir o estado de São Paulo.
A parte central, “A Visão de Anhanguera”, evoca o mito da Mãe d’Ouro sob o olhar do bandeirante Bartholomeu Bueno da Silva, o Anhanguera. A cena remete ao estratagema da aguardente em chamas usado pelo bandeirante para ameaçar incendiar rios caso os indígenas não o levassem ao ouro.
Veja detalhes do vitral na galeria de imagens abaixo:
À esquerda, a alegoria do Império traz a figura de Celes (ou Ceres), deusa greco-romana da agricultura, em meio a cafezais e canaviais, para representar o período em que a agricultura comandou a economia brasileira. Abaixo dela, há sacas de produtos prontos para o embarque, simbolizando a monocultura exportadora como motor deste período.
Por fim, o capítulo referente à República exibe Mercúrio, deus do comércio, ladeado por imigrantes segurando uma engrenagem —símbolo da transição para a era industrial. Ao fundo, o Porto de Santos desenha-se como a porta de saída do café e porta de entrada para os imigrantes. Aos pés de Mercúrio, há um globo terrestre e a frase “Urbi et Orbi” (“à cidade e ao mundo”, do latim), em uma simbologia de Santos como portal do café brasileiro para o planeta.
Pensada como propaganda do progresso paulista, a obra foi feita como uma clara mensagem visual de poder econômico e continua como o testemunho de como São Paulo queria ser visto.
RUMO A TÓQUIO – Começa no dia 22 de março as etapas regionais da Copa Hario, campeonato organizado pela marca japonesa para escolher o barista capaz de preparar o melhor café filtrado. A final será realizado na Casa Hario em 22 de junho. Durante as provas, os competidores serão avaliados às cegas. Serão avaliados quesitos como acidez, corpo, doçura, uniformidade da extração e finalização da bebida. O campeão ganhará uma viagem ao Japão.
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.