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O ‘quase-planeta’ que deu origem à Lua – 23/11/2025 – Mensageiro Sideral

by Silas Câmara

É praticamente consenso entre os cientistas que a Lua se formou cerca de 4,5 bilhões de anos atrás, nos primórdios do surgimento do Sistema Solar, quando um protoplaneta mais ou menos do tamanho de Marte colidiu com a Terra em processo final de formação, ejetando material suficiente em órbita para que um grande satélite natural se formasse ao seu redor. Agora, um grupo internacional de pesquisadores acredita ter descoberto de onde ele veio.

A esse hipotético corpo celeste perdido os astrônomos dão o nome de Theia, mas não é fácil estudar um objeto que simplesmente não existe mais. O único meio de tentar descobrir como ele era é investigando a composição da Terra e da Lua, comparando-as. Tudo leva a crer que na Lua predomina o material de Theia e, na Terra, o originário dela própria, mas as amostras até agora estudadas desafiam nossa compreensão de como se deram essas misturas. Isso porque a imensa maioria das amostras lunares apresenta composição isotópica (a variação no número de nêutrons nos núcleos atômicos) similar à terrestre.

Foi nessa linha que o grupo de Timo Hopp, pesquisador do Instituto Max Planck para Pesquisa do Sistema Solar, na Alemanha, e da Universidade de Chicago, nos EUA, desenvolveu seu trabalho, publicado na última edição da revista científica americana Science.

Eles mediram a composição isotópica do ferro, ou seja, a proporção dos vários isótopos desse elemento, de 15 amostras terrestres que acreditam ser representativas do manto do planeta e 6 amostras lunares obtidas pelas missões Apollo, além de 20 meteoritos (representantes dos tijolos que serviram à formação dos planetas há 4,5 bilhões de anos). A esses dados eles agregaram os referentes a outros elementos químicos medidos em outros trabalhos e estabeleceram uma modelagem que ajudasse a explicar como a colisão gigante pode ter gerado o sistema Terra-Lua.

“Descobrimos que toda a Theia e a maior parte dos outros materiais constituintes da Terra originaram no Sistema Solar interior”, escrevem os pesquisadores, no que não é uma grande novidade, já que a própria Terra faz parte dessa região mais próxima do entorno do Sol, onde estão os quatro planetas rochosos (além dela, Mercúrio, Vênus e Marte).

O que é mais interessante é que o estudo também permite inferir pequenas diferenças entre Theia e Terra que sugerem que Theia deve ter se originado de regiões mais internas do sistema do que a Terra –isso ninguém até agora ninguém havia cravado. Terra e Theia eram vizinhas próximas.

O esforço para desvendar a história completa do nascimento da Lua naturalmente poderá evoluir mais nos próximos anos, conforme obtivermos mais e mais variadas amostras de lá, algumas talvez mais representativas da composição de Theia – e para isso o iminente retorno ao satélite natural com missões tripuladas, para além do aumento das missões robóticas, vem bem a calhar.

Estados Unidos e China hoje travam uma corrida para levar seus astronautas à superfície lunar e, embora o foco da disputa seja mais geopolítico e centrado no futuro uso de recursos naturais do corpo celeste, a ciência naturalmente virá a reboque e terá muito a ganhar com isso. A missão Artemis 2, da Nasa, deve levar quatro tripulantes para uma volta ao redor da Lua já em 2026.

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