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Pacote pode virar arma eleitoral para estimular consumo – 11/04/2026 – Adriana Fernandes

by Silas Câmara

No centro da discussão sobre as medidas de combate ao endividamento está o embate crescente no governo Lula neste ano eleitoral sobre o atual patamar da taxa Selic mantido pelo Banco Central –hoje em 14,75%.

O governo considera que o programa Desenrola de renegociação de dívidas –a primeira medida anunciada pelo ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad ainda na época da transição– deu certo, mas foi prejudicado pelos juros em nível alto por um tempo prolongado.

Enquanto a Selic subiu até 15%, as dívidas das famílias, trabalhadores informais, pequenas, médias e também grandes empresas cresceram proporcionalmente. Teria fracassado, segundo seus críticos, porque de lá para cá houve aumento de 9 milhões de inadimplentes.

A premissa é verdadeira, mas também desconsidera que o governo trabalhou nos últimos anos com uma política de estímulo ao consumo, via aumento do crédito, para estimular o PIB. Foi um contraponto ao aperto de juros do Banco Central para impedir a desaceleração econômica.

As políticas de crédito e outros gastos do governo ajudaram a manter atividade econômica aquecida, mesmo com a taxa de juros altamente proibitiva. Era para ter desacelerado muito mais. Muito dinheiro foi despejado na economia.

Agora, o problema do endividamento dá as caras de forma preocupante no momento em que o início do processo de queda da Selic coincidiu com a guerra no Irã. O BC passou a trabalhar com um choque inflacionário por causa da elevação do preço do petróleo e ficou mais constrangido de cortar muito os juros.

Em relatório recente, o BC pede cautela na concessão de crédito e reconhece que o ambiente de juros altos, aliado ao elevado endividamento mantém riscos para as micro, pequenas e médias empresas. Já há sinais de deterioração da capacidade de pagamento das empresas de grande porte.

O pacote de Lula pode e deve retirar as empresas e famílias de dívidas mais caras. Seria um desserviço, no entanto, transformá-lo em arma eleitoral para estimular o consumo de olho na eleição. Aí, o problema aumenta.


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