Com a primeira unidade lançada em 2012 na cidade de Campinas (SP), a rede de academias “low cost” Panobianco entrou em uma rota de acelerada expansão nos últimos dois anos, o que chamou atenção de investidores e trouxe ambiciosas metas para a companhia. Uma delas é de bater a Smart Fit até 2028.
Antes da pandemia, eram 70 unidades da Panobianco, a maioria no estado de São Paulo. Em 2024, a rede bateu a marca de 200 unidades e, hoje, são 600 unidades. O próximo passo agora é rumo ao mercado internacional. A empresa investe para estrear no México ainda neste ano, e já quer entrar no pódio das três maiores redes de academias do mundo em 2035.
No Brasil, a Panobianco aposta no modelo de franqueamento “puro sangue”, nas palavras do CEO Felipe Barth. Isso significa que a rede não trabalha com nenhuma loja própria. No início de sua operação no México, porém, a empresa pretende mudar essa lógica e manter apenas lojas próprias.
A primeira academia internacional do grupo será localizada na Cidade do México, mas a ideia é realizar um movimento parecido com o que fizeram no Brasil: concentrar a abertura de unidades em cidades que sejam suficientemente grandes para atrair público, mas que não tenham ainda uma estrutura fitness robusta.
A rede de academias oferece apenas uma opção de modelo a seus franqueados, voltado para atingir o público de classe C. Para Barth, estratificar o público —movimento feito pela Smart Fit, que comprou estúdios e a rede BioRitmo, voltados para as classes A e B— é “perda de tempo”.
O executivo da Panobianco reconhece que a concorrente abriu as portas para a criação de um mercado de baixo custo no Brasil, mas acredita que a companhia que ele comanda agora tem a fórmula para assumir a liderança do mercado de academias.
Sente e espere
Felipe Barth completa um ano de gestão na Panobianco. Ele foi chamado pela própria família fundadora, os Panobianco, para acelerar a expansão do negócio.
Para isso, recebeu investimento e aconselhamento de Chris Rondeau, fundador da americana Planet Fitness —rede de academias de baixo custo que se expandiu no país. O empresário estrangeiro inclusive comprou 3% da marca e injetou R$ 13 milhões na companhia. No fim da operação, ele terá 5% da empresa.
A empresa busca captar mais recursos junto a fundos de investimento e não descarta a possibilidade de fazer IPO (oferta pública inicial, na sigla em inglês).
Segundo Barth, o foco atual é melhorar a auditoria, a estrutura organizacional e implementar tecnologia. Há um trabalho ainda em curso para melhorar a governança na relação com os franqueados.
Canetinhas amigas
As canetinhas emagrecedoras, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, não são um problema para o negócio, segundo o CEO —que trabalhava na Novo Nordisk enquanto a molécula GLP-1, usada nesses medicamentos, era estudada.
Mas elas mudaram a disposição dos aparelhos nas academias, diz o executivo. Após a popularização desses remédios, ele percebeu uma busca mais acentuada pela musculação —uma vez que as canetas emagrecedoras podem acarretar em perda de massa muscular—, em detrimento de aparelhos de exercícios cardiovasculares, como esteiras, bicicletas e escadas.
“Diminuímos o número de esteiras nas academias. Antes, tínhamos uma conta de quantas esteiras precisávamos ter para um determinado número de alunos. Hoje, essa proporção caiu”, diz Barth.
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.