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Paul Mescal e Josh O’Connor fazem par romântico em filme – 04/03/2026 – Ilustrada

by Silas Câmara

História do Som” gerou alvoroço nas redes sociais ao ser anunciado lá atrás. O romance gay, afinal, reuniria dois dos principais “it boys” do momento, Paul Mescal e Josh O’Connor. Muitos internautas correram para publicar teorias sobre o quão picante o longa de Oliver Hermanus seria –o último trabalho do sul-africano, afinal, foi o escandaloso “Mary & George“.

Mescal e O’Connor, por sua vez, também já haviam ficado à vontade com seus corpos em outros romances passionais e sofridos –o primeiro em “Normal People” e “Todos Nós Desconhecidos” e o segundo em “O Reino de Deus”.

Mas quase um ano depois de uma estreia morna no Festival de Cannes, a internet baixou as expectativas ao saber que a voltagem sexual desses outros projetos não se repetiria no de agora. “É importante deixar claro que o tom é bem diferente, acho que é uma gentileza da nossa parte dar esse aviso às pessoas”, brinca Mescal sobre o frenesi das redes.

“O filme é sexy de muitas formas, mas a sensualidade nem sempre é uma coisa física”, continua ele, ao lado de Hermanus, que estava mais interessado na intimidade de uma troca de olhares do que na do toque dos corpos de seus protagonistas.

Baseado numa série de contos do escritor americano Ben Shattuck –que os ampliou e transformou em roteiro–, “História do Som” é uma trama sobre a formação dos Estados Unidos e sobre a criação de sua identidade.

Durante a Primeira Guerra Mundial, dois jovens da Nova Inglaterra, região no nordeste do país que abrange estados como Massachusetts e New Hampshire, batizada desta forma por ter sido a primeira área de assentamento dos colonos ingleses que chegavam ao novo continente, se conhecem numa noite regada a álcool e canções folclóricas num bar.

A amizade evolui para um romance, que evolui para uma parceria de trabalho. Eles saem pelos bosques do estado do Maine, peregrinando de uma cidade a outra, em busca de canções com o intuito de preservar a cultura local, num projeto acadêmico da Universidade de Harvard.

Tudo o que ouvem é gravado em cilindros fonográficos, tecnologia de ponta no século 19. À noite, espremidos em suas barracas, eles ordenam os tubos metálicos em maletas, enquanto se beijam ardentemente.

A imagem de dois homens fazendo amor numa barraca, no meio da floresta, remete automaticamente a “O Segredo de Brokeback Mountain“. As comparações, inevitáveis, geraram desconforto em Cannes, o que pode ter ajudado o filme a perder tração nas redes.

“Eu acho essas comparações preguiçosas e frustrantes”, disse Mescal em coletiva de imprensa, após a exibição francesa, em referência às várias críticas estrangeiras que citavam “Brokeback Mountain”. Para o ator, “História do Som” é uma celebração do amor entre dois homens, não um conto sobre a repressão de sua sexualidade.

“Não foi um filme que apareceu como referência enquanto desenvolvia ‘História do Som’”, disse Hermanus horas depois da coletiva a este repórter, num quarto de hotel. “Eu entendo que há certa introspecção em ambos, mas minhas referências estavam muito distantes.”

Hermanus coleciona romances gays de época no currículo. Além da série “Mary & George”, sobre a corte colorida e cheia de hormônios do rei James 1º, ele também retratou a história de amor entre dois homens em “Moffie”, ambientado nos anos 1980, durante o apartheid sul-africano.

Mas ele diz que não começou nenhum desses projetos com a intenção de levantar bandeiras –a diversidade em suas tramas é algo natural, sabido, que está no pano de fundo de outras discussões. Assim, ele espera mostrar que a homossexualidade sempre esteve por aí.

Em “História do Som”, Mescal vive um rapaz erudito, estudioso da música clássica, que verte para o folk durante sua pesquisa acadêmica. Já O’Connor é um tipo mais bronco, menos letrado. Em determinado momento, como em “Brokeback Mountain”, eles rompem, cientes de que sua história de amor jamais será vivida plenamente –mergulhando o tom sensível do filme na tragédia.

“É um filme sobre esses dois personagens, David e Lionel, mas o curioso é que eles estão juntos por uma pequena fração, talvez um terço da trama”, diz Mescal, em cartaz também com “Hamnet“. “O que este filme investiga é o impacto de uma pessoa, de um amor, na vida de outra. Falamos sobre essa presença e, depois, sobre os fantasmas que a ausência gera.”

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