A Petrobras registrou lucro de R$ 110,1 bilhões em 2025, alta de 201% em relação ao ano anterior, que havia sido fortemente impactado por efeitos contábeis da desvalorização do real. A companhia anunciou ainda mais R$ 8,1 bilhões em dividendos a seus acionistas.
Com os novos dividendos, previstos para maio e junho, a estatal terá distribuído um total de R$ 45,2 bilhões aos investidores pelo resultado de 2025. O grupo de controle, governo federal e BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), ficou com R$ 17,6 bilhões.
No quarto trimestre de 2025, a empresa teve lucro de R$ 15,5 bilhões, contra prejuízo de R$ 17 bilhões no mesmo período do ano anterior, quando contabilizou os efeitos cambiais em seu balanço.
“Os resultados de 2025 comprovam a consistência da nossa estratégia, baseada em disciplina de capital, aumento de produção e eficiência operacional. Mesmo em um cenário de forte queda do Brent, geramos R$ 200 bilhões de caixa operacional no ano”, disse o diretor financeiro da companhia, Fernando Melgarejo.
Em 2025, a estatal bateu recorde de produção e de exportações, com 3 milhões de barris de petróleo e gás produzidos e 765 mil barris de petróleo exportados por dia. O grande volume de vendas e o dólar mais alto compensaram a queda de 14,5% no preço do petróleo entre um ano e outro.
A receita da companhia subiu 1,4%, para R$ 497,5 bilhões. O Ebitda, indicador que mede a geração de caixa, subiu 10%, para R$ 237,1 bilhões.
O lucro da área de Exploração e Produção, responsável por produzir petróleo e gás, caiu 1,4% no ano, para R$ 96,5 bilhões. Já a área de Refino, Transporte e Comercialização teve lucro 44% maior, de R$ 9,6 bilhões. Essa área é responsável por vender combustíveis e exportar petróleo.
Desconsiderando os efeitos extraordinários dos dois anos, o lucro de 2025 teria sido de R$ 100,9 bilhões, queda de 2% com relação aos R$ 103 bilhões do ano anterior, informou a companhia em documento entregue à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) nesta quinta-feira (5).
Motivo de preocupação entre investidores, o volume de investimentos da estatal cresceu 22,2% no ano, para US$ 20,3 bilhões (R$ 113,4 bilhões pelo câmbio médio do ano), com foco em perfuração de poços e pagamentos por obras em plataformas de produção.
Analistas se preocupavam com efeitos do crescimento dos investimentos sobre a remuneração ao acionista, principalmente em um cenário de petróleo baixo vigente até o começo da guerra no Irã. Após o início do conflito, porém, o Brent é negociado perto dos US$ 85 por barril.
A Petrobras se beneficia do petróleo mais caro em suas exportações, mas fica pressionada a realizar reajustes nos preços internos dos combustíveis, que já começam a subir devido a aumentos em produtos importados por empresas privadas.
A estatal diz que ainda analisa o cenário antes de decidir por reajustes nos preços dos combustíveis, mas afirma que, até o momento, não há risco para o abastecimento interno, já que a companhia não utiliza rotas hoje afetadas pelo conflito.
A dívida líquida da companhia terminou 2025 em US$ 60,5 bilhões (R$ 338 bilhões), alta de 15% em relação ao fim de 2024.
A empresa afirmou que os valores de dividendos estão alinhados com sua política de remuneração de acionistas, que prevê a distribuição de 45% do fluxo de caixa livre quando o endividamento estiver abaixo da meta. “Esta distribuição é compatível com a sustentabilidade financeira da companhia”, disse.