A guerra com o Irã paralisou as negociações de petróleo e gás nos EUA após um início de ano promissor, já que a volatilidade dos preços do petróleo bruto dificulta a precificação das transações.
O petróleo Brent chegou a atingir US$ 119,11 na quinta-feira (19) e fechou a semana cotado a US$ 112,19 na sexta-feira (20), após o ataque do Irã a uma instalação de gás natural no Qatar que foi um revide a um bombardeio de Israel a um campo de gás iraniano.
As negociações de petróleo e gás nos EUA neste ano atingiram US$ 45 bilhões, o maior patamar em dois anos, segundo dados da Dealogic, como resultado da fusão entre duas empresas da Bacia do Permiano, Devon Energy e Coterra Energy.
Mas as conversas sobre petróleo e gás desaceleraram ou foram suspensas enquanto as empresas aguardam a estabilização dos mercados e dos preços do petróleo bruto, disseram vários banqueiros e advogados que trabalham em negócios nos EUA.
“Tudo simplesmente parou”, definiu Bryan Loocke, sócio do escritório de advocacia Vinson & Elkins especializado em fusões e aquisições de petróleo e gás. “Tenho alguns negócios em andamento, são contratos de longo prazo, mas tudo está paralisado agora porque ninguém consegue precificar nada”.
A situação surgiu às vésperas da CERAWeek em Houston (EUA), tradicionalmente o evento de negócios mais movimentado do setor. A conferência será “muito diferente este ano”, de acordo com um banqueiro sênior de energia baseado em Londres, que disse ter três negociações em andamento e que foram suspensas no momento.
Após a pandemia, as empresas de petróleo e gás sanearam seus balanços, focando em eficiência e retorno aos acionistas, o que levou a uma onda de negociações.
Veteranos do setor previam outro ano movimentado em 2026 como resultado de mais consolidação na região do xisto, aumento da demanda internacional por gás norte-americano, particularmente de empresas na Ásia, e maior demanda de energia decorrente da expansão da inteligência artificial.
Sob o governo Trump, os negócios de petróleo e gás têm sido submetidos a menos escrutínio do que durante o mandato de Biden, quando as transações eram investigadas pela Federal Trade Commission. De acordo com um banqueiro ouvido pela reportagem, as empresas podem estar buscando fechar negócios antes do fim do mandato de Trump para aproveitar o ambiente permissivo.
“Acho que a volatilidade geralmente é ruim, mas este parece ser um mercado um pouco diferente”, analisou Conrad Gibbins, codiretor de upstream para as Américas no banco de investimentos americano Jefferies.
O crescimento das transações com títulos lastreados em ativos no setor de petróleo e gás, uma alternativa aos empréstimos tradicionais baseados em reservas de recursos, também levou ao aumento da atividade.
“O desenvolvimento do mercado de ABS mudou fundamentalmente o custo de capital para compradores, trazendo acesso aos mercados de dívida com grau de investimento para uma ampla gama de compradores”, afirmou Gibbins. “De forma mais ampla, a escassez de ativos de maior qualidade e escala também está impulsionando uma competição acirrada por ativos no mercado atual”.
Potenciais alvos de aquisição incluem a operadora privada de petróleo TRP Energy, a empresa de GNL Stabilis Energy e a produtora de petróleo e gás upstream Firebird Energy, sediada em Fort Worth, disseram analistas. Exxon e Chevron também devem fazer grandes aquisições.
Se a Diamondback Energy —descrita como a joia da coroa do Permiano com sua grande área de concessão— decidirá adquirir ou vender é um “jogo de adivinhação” constante, como disse um advogado.
Mas espera-se que as negociações permaneçam suspensas enquanto a situação com o Irã continuar incerta. “Os compradores estavam animados antes. Há capital disponível com potenciais compradores que estão procurando ativos”, disse Austin Lee, sócio do escritório de advocacia Bracewell.
“Agora a questão é: ‘OK, qual preço colocamos nisso? Quão agressivos podemos ser na subscrição? Vamos conseguir fazer hedge?'”, complementou Lee.