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Petróleo: Japão libera reservas após bloqueio – 24/03/2026 – Economia

by Silas Câmara

O Japão vai usar as reservas conjuntas de petróleo mantidas por países produtores em seu território até o final de março, disse a primeira-ministra, Sanae Takaichi, nesta terça-feira (24), enquanto Tóquio intensifica medidas emergenciais para compensar as perdas de abastecimento do Oriente Médio.

Os preços do petróleo dispararam para os níveis mais altos desde 2022 após os Estados Unidos e Israel lançarem ataques com mísseis contra o Irã em 28 de fevereiro. O estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e GNL (gás natural liquefeito), permanece virtualmente fechado.

“Começamos a liberar as reservas privadas em 16 de março e iniciaremos a liberação das reservas nacionais a partir do dia 26. Além disso, a liberação das reservas mantidas conjuntamente com países produtores de petróleo também está programada para começar ainda em março”, disse Takaichi nas redes sociais.

Segundo a AIE (Agência Internacional de Energia), a contribuição do Japão para a liberação recorde de reservas de petróleo coordenada pela entidade totalizará quase 80 milhões de barris, consistindo principalmente de petróleo bruto.

Além disso, cerca de 13 milhões de barris, o que equivale a sete dias de abastecimento, são mantidos conjuntamente no Japão pela Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kuwait. Desses, o país utilizará o equivalente a cinco dias de abastecimento, de acordo com o ministro da Indústria, Ryosei Akazawa.

SEM TRÁFEGO RUMO AO JAPÃO

Dois navios-tanque, um partindo do porto de Yanbu, na Arábia Saudita, e outro de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos —ambos desviando do estreito de Hormuz— estão a caminho do Japão, afirmou Akazawa, com chegada prevista para esta semana e início de abril.

Outro navio-tanque de fora do Oriente Médio também está a caminho do Japão, com chegada prevista para o final de abril, acrescentou o ministro.

Teerã está pronto para permitir a passagem de navios do Japão pelo estreito de Hormuz, indicou o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, à agência de notícias Kyodo na semana passada. Mas dados de rastreamento de navios da empresa especializada em tráfego marítimo Kpler mostram que nenhum navio-tanque com destino ao Japão deixou a área desde o início do conflito.

Mitsui O.S.K. Lines e Nippon Yusen Kaisha, duas grandes empresas de navegação japonesas com navios-tanque presos no Golfo, suspenderam o trânsito e suas embarcações aguardam em área segura, de acordo com as companhias.

Enquanto o Japão utiliza fundos de reserva para subsídios de gasolina e, segundo pessoas com conhecimento do assunto ouvidas pela Reuters, estuda intervir no mercado futuro de petróleo bruto, compradores locais buscam fornecimento em outros mercados, incluindo os Estados Unidos.

A liberação de petróleo das reservas privadas e públicas pode cobrir o abastecimento externo até o final de abril, comentou Shunichi Kito, presidente da Associação de Petróleo do Japão, grupo que representa as principais refinarias de petróleo do país.

Em documento apresentado na terça-feira (24) ao Partido Liberal Democrata, atualmente no poder, a entidade disse que suprimentos alternativos não chegariam ao Japão antes de junho, mesmo se comprados dos Estados Unidos ou de outros lugares. Kito pediu ao governo que considere uma liberação adicional das reservas de petróleo.

Enquanto a AIE afirmou estar em contato com governos na Ásia e na Europa sobre a liberação de mais petróleo estocado, nenhuma decisão foi tomada no Japão em relação a uma possível segunda liberação das reservas estratégicas de petróleo, afirmou Akazawa.

Os membros da AIE, que incluem EUA, Reino Unido e Japão, concordaram em liberar um recorde de 400 milhões de barris de petróleo no mercado para tentar aliviar a crise, enquanto os EUA também suspenderam temporariamente algumas sanções sobre o petróleo russo e iraniano.

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