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Petróleo: mercado está ficando cético sobre falas de Trump – 05/04/2026 – Economia

by Silas Câmara

A forma como os mercados respondem às declarações do presidente Donald Trump sobre a guerra com o Irã pode ter grandes efeitos nos preços. Teve vezes em que o preço do petróleo oscilou instantaneamente em reação às suas palavras; outras, em que o mercado simplesmente ignorou.

Os investidores agora parecem mais céticos quando Trump diz que o conflito pode acabar em breve —o que significa que ele pode ter mais dificuldade em derrubar os preços simplesmente pelo poder da palavra.

Suas declarações também ocorrem enquanto os combates continuam em todo o Golfo Pérsico, incluindo ataques à infraestrutura energética. Um bloqueio aos navios-tanque que transportam petróleo da região também está influenciando as ações dos investidores.

Para ver essa mudança de sentimento, vamos voltar duas semanas, até 23 de março, quando Trump anunciou no Truth Social uma pausa de cinco dias nos ataques à infraestrutura energética e o início de negociações com o Irã (que o Irã negou terem ocorrido).

Os investidores reagiram rapidamente, fazendo o preço dos contratos futuros de petróleo cair acentuadamente. O anúncio de Trump pareceu tranquilizar os investidores de que o Estreito de Hormuz, já bloqueado para navios-tanque de petróleo, não ficaria pior. Os preços do petróleo geralmente caem quando as pressões sobre a oferta diminuem.

A maior vantagem do Irã no conflito são os preços do petróleo, disse Adam Kobeissi, editor-chefe da Kobeissi Letter, uma newsletter financeira: “Enquanto os preços continuarem subindo, o presidente Trump continuará a proteger esta campanha militar divulgando essas manchetes para tentar conter o mercado”.

Desde então, no entanto, os contratos futuros de petróleo não responderam na mesma intensidade a declarações semelhantes do presidente.

Em 26 de março, Trump anunciou uma pausa de 10 dias nos ataques. Desta vez, os contratos futuros de petróleo caíram brevemente novamente, mas não tanto quanto a vez em que Trump anunciou a pausa de cinco dias. E voltaram a um preço próximo ao anterior em questão de minutos.

Na segunda-feira seguinte, 30 de março, os contratos futuros de petróleo haviam retornado aproximadamente ao preço que tinham antes de Trump falar sobre diplomacia na semana anterior. E o mercado parecia ignorar as declarações de Trump, nas quais ele frequentemente oscilava entre diplomacia e ameaças.

Naquela manhã, Trump anunciou que os Estados Unidos estavam em “discussões sérias” com o Irã sobre o fim da campanha militar americana, ao mesmo tempo em que ameaçava destruir a infraestrutura energética do Irã se um acordo não fosse alcançado e o Estreito de Hormuz não fosse reaberto. O mercado permaneceu estável.

Os contratos futuros de petróleo a essa altura já poderiam ter precificado o sinal de que a guerra não escalaria mais. Mas o fluxo através de Hormuz ainda estava essencialmente bloqueado, sem sinais de melhora, independentemente da sugestão do presidente de que a guerra poderia acabar em breve.

Na quarta-feira (1º) de manhã, Trump postou no Truth Social que o Irã havia pedido um cessar-fogo, embora o principal diplomata do Irã tenha negado anteriormente que negociações estivessem em andamento.

No mesmo post, Trump também escreveu: “Até lá, estamos bombardeando o Irã até o esquecimento”. Novamente, os preços do petróleo permaneceram estáveis.

Mas naquela noite, em seu discurso televisionado à nação, Trump prometeu continuar bombardeando o Irã —sem oferecer novas informações sobre quando esperava que a guerra terminasse. Isso chamou a atenção do mercado: enquanto Trump fazia suas declarações, o preço do petróleo subiu.

Após esses altos e baixos, o preço do petróleo está novamente próximo de onde estava antes de Trump anunciar as negociações e a pausa nos ataques duas semanas atrás. Fechou a US$ 109 por barril na quinta-feira (2), uma alta de mais de 50% desde o início da guerra.

Para os preços da gasolina nos EUA, isso se traduziu em um salto para US$ 4,10 o galão no sábado, ante US$ 2,98 o galão antes da guerra, segundo a média nacional da AAA.

Este artigo foi publicado originalmente no The New York Times.

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