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PMs do Rio faziam segurança de traficantes do CV, diz PF – 12/03/2026 – Cotidiano

by Silas Câmara

Policiais militares do Rio de Janeiro envolvidos em um esquema de apoio a facções criminosas faziam a segurança de traficantes e os escoltavam em situações cotidianas, como idas ao hospital e festas.

A investigação, feita pela Polícia Federal, resultou na operação Anomalia 3, que prendeu nesta quarta-feira (11) sete PMs suspeitos de participação no esquema. Os nomes não foram revelados e, por isso, as defesas não foram localizadas.

Na segunda (9) e terça-feira (10) a PF desencadeou as fases 1 e 2 da operação Anomalia. Foram presos um delegado da Polícia Federal, um delegado da Polícia Civil, um ex-secretário do governo Cláudio Castro (PL), policiais civis e uma advogada.

As três fases da operação indicam, segundo a PF, uma rede de servidores públicos que atuava em três frentes de proteção à facção: no vazamento de informações sensíveis, como datas de operação; na extorsão de lideranças do tráfico, recebendo propina em troca de omissão em crimes; e na proteção pessoal de traficantes, o que envolvia escolta e transporte.

Os suspeitos não prestavam serviço para as mesmas pessoas, ou o mesmo grupo, segundo a PF.

Os PMs presos na quarta participavam da segurança de traficantes, que não tiveram os nomes revelados, mas são vinculados ao CV, considerada a maior facção do estado.

Segundo o delegado da PF Geraldo Almeida, os agentes eram cooptados para o esquema por “pessoas conhecidas, ou por integrantes das rações, ou por colegas de trabalho”.

Na investigação há casos de policiais que fizeram segurança de traficantes para consulta médica no hospital e que participaram da escolta de convidados em um baile funk.

As operações Anomalia estão no escopo da ADPF 635, e por isso todos os mandados foram expedidos pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

“Essas três operações deflagradas deixam claro o envolvimento de agentes públicos de todas as esferas de poder. Foi possível perceber que havia membros da PF envolvidos na trama, policiais civis extorquindo um membro da maior organização criminosa. Isso demonstra a fragilidade do estado perante o crime”, afirma o delegado Almeida.

O ex-secretário estadual de Esportes Alessandro Carracena, segundo a PF, atuava como intermediário, pagando dinheiro e fazendo favores ao delegado da PF Fabrizio Romano em troca de informações e influência. Carracena já estava preso e recebeu novo mandado de prisão. Romano foi preso na segunda.

Um dos beneficiados pelos contatos seria o ex-deputado TH Joias, preso desde setembro sob acusação de envolvimento com o Comando Vermelho. Carracena também foi preso na mesma operação —apuração da PF à época apontou que ele passava informações sensíveis ao grupo de TH.

O advogado Paulo Klein, que defende Romano, negou na segunda-feira “peremptoriariamente qualquer envolvimento ilícito com o deputado estadual TH”. Ele afirmou também que ainda não teve acesso à decisão que determinou a prisão de seu cliente.

A defesa de Carracena não foi encontrada.

Em material divulgado, a PF menciona ainda “um indivíduo com histórico criminal, focado na facilitação política e operacional em Brasília”. O nome não foi revelado e, questionada pela reportagem na quarta-feira, a PF não informou se este já foi preso ou será alvo de futura operação.

No núcleo de extorsão, um delegado e policiais civis foram presos sob suspeita de pedirem dinheiro para não cumprir intimações que a própria Polícia Civil pedia. Segundo a PF, a negociação ocorria de maneira incisiva por parte dos servidores, com imposição de prazos.

Foram presos Marcus Henrique de Oliveira Alves, então titular da 44ª DP (Inhaúma), e os policiais civis Franklin Jose de Oliveira Alves e Leandro Moutinho de Deus. A reportagem não teve acesso à defesa dos três até a publicação deste texto.

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