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Presidente da Febraban defende regulação reativa de bancos – 03/03/2026 – Economia

by Silas Câmara

Isaac Sidney, presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), defendeu nesta terça-feira (3), em Frankfurt, uma “regulação reativa” para o setor.

Em um ciclo de debates que tem o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça como âncora, Sidney afirmou que a confiança do sistema bancário “é construída lentamente, mas pode ser perdida em segundos”.

Na Universidade Goethe, acontecia o segundo dia do seminário promovido pelo Dinter (Diálogos Intercontinentais), em parceria com a instituição de ensino alemã, na qual Mendonça é professor de um curso de mestrado. Relator do caso Master, o ministro não estava na sala quando Sidney, em um debate com Rafael Furlanetti, diretor da XP, fez uma breve menção ao banco de Daniel Vorcaro.

O ex-diretor do Banco Central, na verdade, declarou que não estava “falando do caso Master especialmente”. A discussão girava em torno do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), que já sangrou cerca de R$ 50 bilhões por causa do episódio.

Para Sidney, o FGC é um “muro de contenção, de reforço”, mas “não pode ser a primeira linha de defesa nem a última trincheira de proteção”.

Em uma mesa com executivos e especialistas do setor financeiro de Brasil e Alemanha, a discussão girava em torno das virtudes da digitalização e de seus desafios. Segundo a Febraban, mais de 90% das transações no Brasil já ocorrem em canais digitais, algo que ainda está longe de ocorrer em muitos países da Europa.

A entrada de fintechs, big techs e novos modelos híbridos no sistema nacional criou uma “pressão de competitividade legítima”, mas também “assimetrias regulatórias relevantes”.

“O fato é que se, necessariamente, a inovação corre na velocidade da tecnologia, a regulação precisa correr na velocidade do risco. Acho que esse é um ponto muito importante”, disse Sidney. “A regulação não pode correr atrás da crise. A regulação e a supervisão precisam enxergar a crise.”

O presidente da Febraban não detalhou como deveria ser essa nova regulação bancária, mas enfatizou que ela deveria ser de caráter “adaptativo” e “reativo” para dar conta das inovações tecnológicas e das fraudes cada vez mais sofisticadas.

“A missão das autoridades de supervisão não é mais evitar crises bancárias, mas administrá-las, prevenir que a eclosão dessas crises não tragam uma contaminação maior”, disse.

“Nós temos de olhar muito além do risco de crédito, liquidez e solvência. Nós temos de enxergar o risco tecnológico, o risco operacional, o risco cibernético e o risco reputacional. São valores ou são vetores que se somam aos riscos mais tradicionais. Portanto, estamos diante de um momento peculiar no sistema financeiro global”, afirmou o executivo.

“Nunca estivemos tão expostos a riscos ainda não totalmente explorados.”

Em uma provocação diante do que via como um eventual excesso de regulação, Furlanetti perguntou se alguém na plateia não gostaria de pagar uma conta pelo WhatsApp.

O debate ganhou peso, no entanto, quando o FGC entrou em pauta. “Não pode o emissor ter uma placa [do FGC], seja ele banco, financeira, fintech, que também pode emitir depósitos que são rentabilizados. E esse emissor dizer que o problema não é dele, porque quem comercializou o papel foi a distribuidora. E a distribuidora dizer que não é dela, porque não é a emissora”, afirmou Sidney, descrevendo agentes do sistema financeiro empurrando a responsabilidade para o próximo até a ponta final, o investidor.

“Se a gente for por esse caminho, de ‘o problema não é meu’, nós vamos ter um problema sério.” Foi nesse momento que Sidney declarou que não estava nem mencionando o caso Master. O escândalo trouxe à tona a questão do FGC ter virado uma espécie de avalista de investimentos a partir do uso da marca na oferta de investimentos.

Em Frankfurt, a ausência do tema é notável. No primeiro dia de debates, nesta segunda-feira (2), Mendonça e Hugo Motta, presidente da Câmara, contornaram a crise institucional brasileira durante um painel dedicado ao relacionamento entre cortes constitucionais e parlamentos.

Nesta terça, na lista de risco sistêmicos do sistema financeiro falou-se de bets ilegais, engenharia social, fraudes e crime organizado, mas não das relações de um banqueiro com boa parte do espectro político, ministros do STF e outras instâncias.

Mendonça, quase uma exceção no Supremo, não comenta casos em curso. A Febraban também não fala do assunto. O evento no centro financeiro da Alemanha tem a parceria do Instituto Iter, fundado pelo ministro, e da própria federação dos bancos.

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