A energia renovável representou quase 50% da capacidade de eletricidade mundial no ano passado, após um aumento recorde nas instalações solares, segundo dados da Irena (Agência Internacional para as Energias Renováveis).
Enquanto o conflito no Oriente Médio levou a ganhos mensais recordes nos mercados de petróleo, alguns setores da indústria têm pressionado por mais investimentos em combustíveis fósseis, mas países com maior capacidade renovável ficaram protegidos do choque de mercado, afirmam analistas.
“A crise no Oriente Médio, de certa forma, confirmou dramaticamente que a segurança energética não é algo que podemos garantir com combustíveis fósseis”, disse Francesco La Camera, diretor-geral da Irena, à Reuters.
A capacidade global de energia renovável atingiu um recorde de 5.149 GW (gigawatts) no final de 2025, um aumento de 692 GW em relação a 2024, mostraram os dados.
O crescimento foi liderado por um salto na capacidade solar, que cresceu 511 GW em 2025 para 2.392 GW, confirmando sua posição como a maior fonte renovável do mundo.
Os números são muito maiores do que o crescimento de 116 GW na capacidade de energia de combustíveis fósseis e elevaram a participação das renováveis na capacidade global de eletricidade para 49,4% em 2025, ante 46,3% no ano anterior, mostraram os dados. Além disso, 85,6% da capacidade adicionada de energia no mundo no ano passado vieram de fontes limpas.
Mais de cem países na cúpula climática COP28 em Dubai, em 2023, concordaram em triplicar a capacidade de energia renovável até 2030 como parte dos esforços para cumprir as metas climáticas globais, e La Camera disse que as adições do ano passado significam que o setor está mais perto de atingir a meta.
“Esses 700 gigawatts significam que podemos estar bem perto em 2030 da meta de triplicar, não exatamente o triplo, mas muito perto disso”, afirmou.
Os dados mostram que a taxa de crescimento anual da capacidade renovável em 2025 subiu para 15,5%, em comparação com uma taxa de crescimento de cerca de 15,1% em 2024.
Grupos de energia renovável disseram no ano passado que atingir a meta até 2030 exigiria um crescimento anual de 16,6% de 2025 a 2030.
As novas instalações de energia eólica foram de 159 GW, elevando a capacidade total instalada para 1.291 GW.
Capacidade é uma medida da quantidade de energia que as usinas são capazes de produzir, mas frequentemente geram menos do que a capacidade se forem desligadas por motivos como manutenção ou reabastecimento, ou no caso das renováveis, durante períodos de pouco vento e sol.
Dados do think tank Ember no ano passado mostraram que fontes de energia renovável geraram mais eletricidade do que o carvão globalmente pela primeira vez no primeiro semestre de 2025. No total, as renováveis forneceram 34% da eletricidade global.
A Irena aponta, no entanto, que há disparidades signifcativas no aumento da produção de energia limpa. China, EUA e União Europeia, por exemplo, foram responsáveis por 79,5% do aumento de capacidade instalada em 2025, enquanto o continente africano representou apenas 1,6% da expansão.
A Guerra no Irã e a crise no fornecimento de petróleo voltou a impulsionar a indústria de energia limpa, afetada inicialmente pela descrença do presidente americano, Donald Trump, com o tema e o aumento da volatilidade dos mercados globais. Com dificuldades em importar petróleo e gás natural do Oriente Médio, alguns países europeus já impõe limites no uso de combustíveis e eletricidade, e a necessidade de ampliar a capacidade de energia limpa no próprio solo europeu ficou mais presente em discussões governamentais.
Na semana passada, a ministra da Economia da Alemanha, Katherina Reiche, defendeu que o país volte a discutir a produção de energia nuclear, uma fonte que até então preocupa grande parte da população alemã. Em conversa com investidores, ela disse que o país não tem hoje alternativas ao gás natural .
“Podemos decidir que não estamos interessados. Então ficamos com o gás e nos tornamos mais dependentes de uma única fonte de energia. Ou podemos dizer que estamos interessados em tecnologia novamente”, disse Reiche na ocasião.
Com Reuters