Os Rolling Stones negaram envolvimento na autorização do uso da música “Gimme Shelter” no documentário “Melania”, centrado na ex-primeira-dama Melania Trump, segundo a revista Variety.
De acordo com reportagem do jornal britânico The Guardian, uma fonte próxima a Mick Jagger afirmou que o vocalista não participou da decisão de licenciar a canção para o filme. A declaração contradiz o produtor Marc Beckman, que disse à revista americana que Jagger “esteve diretamente envolvido” e “deu sua bênção” para a utilização da faixa.
Um representante oficial da banda ouvido pelo Guardian declarou que o licenciamento foi firmado exclusivamente entre a ABKCO —empresa que detém e administra os direitos das gravações dos Stones anteriores a 1971— e os produtores do documentário, sem participação direta do grupo.
A ABKCO foi fundada pelo empresário Allen Klein, que passou a trabalhar com a banda em 1965 e, após o rompimento no início dos anos 1970, manteve os direitos sobre o catálogo gravado até 1971, que inclui “Gimme Shelter” e clássicos como “(I Can’t Get No) Satisfaction”, “Sympathy for the Devil”, “Jumpin’ Jack Flash” e “Honky Tonk Women”.
Embora as relações entre a banda e a ABKCO tenham se estabilizado ao longo das décadas, o uso da música em um projeto relacionado ao universo Trump chama atenção devido ao histórico de embates públicos entre o ex-presidente e os músicos. Os Rolling Stones já protestaram algumas vezes contra a execução de suas canções em comícios das campanhas de Trump em 2016 e 2020 e chegaram a acionar a organização de direitos autorais BMI para tentar restringir o uso de seu repertório sob licenças amplas aplicadas a eventos políticos. Apesar das notificações, as músicas continuaram a ser utilizadas.
O atrito entre banda e Trump remonta ainda a 1989, quando o grupo se apresentou no Atlantic City Convention Center, então vinculado ao republicano, durante a turnê “Steel Wheels”. De acordo com relato do promotor Michael Cohl ao jornal Los Angeles Times, Trump teria organizado uma entrevista coletiva de imprensa sobre o show sem o consentimento do grupo, descumprindo acordos prévios, o que gerou tensão nos bastidores.
Até o momento, fontes ligadas à produção do documentário mantêm a versão de que Mick Jagger participou diretamente do processo de licenciamento.