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Rússia lucra com fertilizantes devido à guerra no Irã – 25/03/2026 – Economia

by Silas Câmara

A Rússia está se beneficiando de uma forte alta nos preços dos fertilizantes impulsionada pela guerra dos EUA e Israel contra o Irã, enquanto outros grandes fornecedores no Oriente Médio interrompem a produção e enfrentam dificuldades para enviar exportações pelo estreito de Hormuz.

Essa mudança colocou o abastecimento europeu em risco, dando novo impulso aos países da UE (União Europeia) favoráveis à Rússia para argumentar que o bloco deveria flexibilizar as restrições aos fertilizantes russos impostas em resposta à guerra na Ucrânia.

“A Rússia é uma das principais beneficiárias [da guerra] como grande produtora de commodities, mas é assim que funciona —não se trata apenas de petróleo e gás, mas também de fertilizantes”, disse Andrey Sizov, diretor-executivo da consultoria de grãos SovEcon. “À medida que você avança na cadeia de produtos agrícolas, o preço deles também sobe, e a Rússia tem reservas bastante grandes.”

O domínio da Rússia no mercado global de fertilizantes supera até mesmo sua posição nos mercados de petróleo e gás, respondendo por 23% das exportações de amônia, 14% de ureia e, com a aliada Belarus, 40% do potássio. Seus embarques permanecem inalterados pelo bloqueio iraniano do estreito de Hormuz.

Os preços da ureia no Oriente Médio, referência global, dispararam 44% desde o início da guerra, ultrapassando US$ 670 por tonelada.

Moscou já está recebendo até US$ 150 milhões extras por dia em receita orçamentária com vendas de petróleo, em meio à alta de preços causada pela guerra.

O Kremlin tem retratado a crise nos mercados de commodities como uma forma de trazer a Rússia de volta ao cenário internacional após quatro anos de sanções sobre suas exportações devido à invasão em larga escala da Ucrânia pelo presidente Vladimir Putin.

A Rússia suspendeu temporariamente as exportações de nitrato de amônio na terça-feira para priorizar os produtores domésticos, ressaltando a capacidade de Moscou de afetar mercados já abalados.

“A Rússia está bem posicionada para a prevista e emergente ‘Era da Escassez Extrema'”, escreveu Kirill Dmitriev, enviado especial de Putin para cooperação econômica, no X (Ex-Twitter) em resposta.

Dmitriev previu que, à medida que “as cadeias globais de suprimentos se rompem, tanto os parceiros quanto os adversários da Rússia apreciarão ainda mais seu papel crítico” como exportadora.

O impacto já está sendo sentido na Europa, onde o potássio belarusso permanece proibido e tarifas e taxas se aplicam aos fertilizantes nitrogenados da Rússia e de Belarus.

As exportações de fertilizantes russos para a UE valeram cerca de 2 bilhões de euros no ano passado, embora os volumes tenham caído desde que novas taxas introduzidas em 2025 começaram a entrar em vigor.

O governo da Hungria, há muito defensor do levantamento das sanções da UE contra a Rússia, pediu a Bruxelas que flexibilize as restrições aos fertilizantes. Em uma carta à Comissão Europeia na segunda-feira, o ministro da Agricultura húngaro, István Nagy, alertou que o acesso a importações mais baratas poderia levar a rendimentos menores e preços de alimentos mais altos, particularmente em países dependentes de fósforo e potássio importados.

Washington disse na semana passada que flexibilizaria as sanções contra vários produtores belarussos, incluindo a estatal Belaruskali, permitindo potencialmente o aumento das exportações.

Mas havia pouca indicação de que a UE estaria disposta a afrouxar suas restrições, segundo Chris Lawson, chefe de fertilizantes da consultoria CRU.

Ele disse que a Rússia não poderia substituir totalmente os volumes interrompidos do Oriente Médio, mesmo que a produção aumente este ano. Espera-se que a Rússia exporte cerca de 9,5 milhões de toneladas de ureia em 2026, ou aproximadamente entre 15 e 16% do comércio global. Em contraste, os produtores do Golfo respondem por cerca de um terço da oferta global comercializada.

Sizov alertou que as fábricas já estão operando a cerca de 90% da capacidade. As instalações de produção de nitrato de amônio também fabricam explosivos para as forças armadas russas e enfrentam ataques de drones ucranianos.

Mas Moscou está bem posicionada para usar suas exportações como ferramenta para reagir às sanções ocidentais e convencer mercados emergentes a apoiar sua causa.

O impacto da guerra nos mercados agrícolas globais pode pender ainda mais a favor da Rússia no médio prazo, à medida que nações dependentes de importações forem forçadas a plantar menos e choques de oferta provocarem inflação nos preços dos alimentos, disse Alexandra Prokopenko, pesquisadora do Carnegie Russia Eurasia Center em Berlim.

“Um funcionário de um país asiático ou africano que precisa de ureia antes das monções não discute a questão ucraniana. Ele liga para o Kremlin, e o Kremlin atende”, disse ela.

“A Rússia pode converter poder de mercado em renda política —extraindo retornos geopolíticos ao se posicionar como um fornecedor insubstituível.”

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