A Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) é a principal responsável pela necessidade de racionar água no estado, segundo pesquisa Datafolha realizada em 71 municípios paulistas.
O levantamento mostra que a responsabilidade por falhas ou limitações no serviço recai predominantemente sobre a empresa, superando as críticas direcionadas às gestões do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), das prefeituras e do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
De acordo com o levantamento, 53% dos entrevistados atribuem a culpa diretamente à Sabesp. A gestão estadual é citada por 17% dos paulistas como a principal culpada pelo racionamento. Essa diferença em relação à companhia também é observada quanto ao governo municipal, citado por 12%, e à gestão federal, que detém 7% das menções.
O sentimento de responsabilização da prestadora de serviço supera amplamente a cobrança direcionada às esferas públicas. Mesmo somadas, as críticas aos três níveis de governo (36%) não atingem o patamar de atribuição de culpa direcionado à empresa (53%).
Em nota, a Sabesp afirma que medidas adotadas para enfrentar a crise hídrica, como a redução da pressão na rede durante a madrugada, seguem determinações de órgãos reguladores e que a economia de água atingida desde agosto é suficiente para abastecer a Grande São Paulo por 20 dias.
O Datafolha realizou 1.608 entrevistas presenciais. O trabalho de campo ocorreu de 3 a 5 de março. A margem de erro máxima estimada para o total da amostra é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%.
O índice de pessoas que não souberam opinar ou preferiram não responder ficou em 7% no total geral.
O recorte da pesquisa com a região metropolitana de São Paulo aponta que 56% dos moradores consideram a Sabesp como a culpada pelo racionamento. A variação em relação à amostra geral deve ser observada com cautela, pois, nesse cenário, a margem de erro é de três pontos percentuais.
A percepção de responsabilidade varia conforme o perfil socioeconômico. Entre os entrevistados com ensino fundamental, a Sabesp é apontada como culpada por 62%. Nas faixas de renda mais baixa, que recebem até dois salários mínimos, a companhia é o alvo principal de 59% das pessoas, enquanto o governo estadual é citado por 12%. Para esses dois grupos, as margens de erro são de seis e de quatro pontos percentuais, respectivamente.
Por outro lado, entre a população com ensino superior, a cobrança sobre a gestão estadual sobe para 24%. O recorte por renda familiar mostra tendência semelhante: no grupo que recebe mais de 5 a 10 salários mínimos, a responsabilização do estado chega a 25%, embora a margem de erro para esse estrato específico seja maior, de oito pontos percentuais.
O fator político também influencia a visão dos entrevistados. Entre os eleitores de Fernando Haddad (PT), 26% atribuem maior responsabilidade ao governo estadual, índice que cai para 12% entre os eleitores de Tarcísio.
Ambos os grupos concordam ao eleger a Sabesp como a principal responsável –50% entre eleitores de Haddad e 54% entre os de Tarcísio. Além disso, a companhia é mais culpabilizada por quem aprova o governo estadual (56%) do que por quem o desaprova (46%).
Em nota, a Sabesp afirmou enfrentar um desafio histórico na infraestrutura hídrica da Região Metropolitana de São Paulo, agravado pela falta prolongada de chuvas e por investimentos que ficaram abaixo do necessário para acompanhar o crescimento urbano.
Com a desestatização, diz a Sabesp, estão sendo antecipados R$ 7,8 bilhões em obras, que incluem ampliação de sistemas produtores, novas adutoras, reservatórios e interligações entre mananciais.
A companhia também afirma investir em outras regiões do estado, como a Baixada Santista, com aporte de R$ 7,5 bilhões até 2029.
A Sabesp destaca que a redução de pressão na rede durante a madrugada é uma medida preventiva, adotada por deliberação da Arsesp, a agência reguladora dos serviços estaduais.
Com a medida adotada em 27 de agosto do ano passado, 103 bilhões de litros de água foram economizados na Grande São Paulo, o suficiente para garantir o abastecimento da região por 20 dias.