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Saiba o que é a Fictor, patrocinadora do Palmeiras – 02/02/2026 – Economia

by Silas Câmara

A holding financeira Fictor, que entrou com pedido de recuperação judicial neste domingo (1º), faz parte de um conglomerado com negócios de US$ 1 bilhão em alimentos, gestão de recursos, pagamentos, energia e imóveis, além de ser uma das principais patrocinadoras do Palmeiras, para quem paga R$ 30 milhões todo ano.

Em novembro, o Banco Master chegou a anunciar que seria comprado pela Fictor. A operação acabou barrada pelo Banco Central. Atualmente, Master e o resto de seu conglomerado financeiro, como o Will Bank e o Letsbank, estão em processo de liquidação.

Segundo a Fictor, sua reputação foi atingida por especulações de mercado depois que o Banco Central liquidou o banco de Vorcaro um dia após o anúncio de que a Fictor havia comprado a instituição.

A Fictor diz que essas especulações “geraram um grande volume de notícias negativas, atingindo duramente a liquidez da Fictor Invest e da Fictor Holding”.

Fundado em 2007 pelo empresário Rafael Góis, o Grupo Fictor é um conglomerado que cresceu com o financiamento ao agronegócio e hoje tem atividades que vão de marmitas a cartão de crédito e hidrogênio verde.

A partir da Fictor Asset, o grupo capta recursos para financiar o agronegócio por meio de fundos de direitos creditórios, além de investir em energia, imóveis, seguros e crédito consignado, de acordo com o site da gestora. A Fictor Asset diz ter R$ 966 milhões em ativos sob sua gestão e dez fundos de investimentos estruturados.

No ramo de alimentos, o Grupo Fictor é dono de marcas como Dr. Foods, que vende marmitas e comida para pets, da trader de grãos Vensa e do abatedouro e atacadista de frangos Fredini.

Segundo o conglomerado, a principal subsidiária industrial do grupo, a Fictor Alimentos S.A., reúne unidades em Minas Gerais e Rio de Janeiro e emprega diretamente 3.500 pessoas, além de 10 mil indiretamente. Trata-se do novo nome dado pelo grupo à Atom Participações, comprada em 2024 da influenciadora Carol Paiffer, também jurada do programa Shark Tank Brasil.

A Fictor Alimentos S.A, no entanto, não está incluída no pedido de recuperação judicial. Ainda assim, a empresa, que tem capital aberto na B3, via suas ações despencarem 28,07% na manhã desta segunda (2).

A Fictor ficou conhecida entre o público em geral no ano passado. Em março, o grupo passou a ser patrocinador do Palmeiras, repassando ao clube paulista R$ 30 milhões por ano. Desde então, sua marca é estampada na frente dos uniformes das categorias de base do clube e nas costas do time principal. Além disso, um torneio sub-17 organizado pelo Palmeiras passou a se chamar Copa Fictor.

“Tenho certeza de que colheremos grandes frutos com esta união”, disse a presidente do Palmeiras, Leila Pereira, no dia do anúncio.

Já a conexão do grupo com o Banco Master ganhou notoriedade em 17 de novembro, um dia antes da instituição de Vorcaro ser liquidada pelo Banco Central. Na ocasião, a Fictor anunciou ter feito uma proposta junto com investidores dos Emirados Árabes Unidos pelo controle do Master —o aporte seria de R$ 3 bilhões.

O anúncio à época chamou atenção, já que naquele momento o Master tinha cerca de R$ 60 bilhões em depósitos a pagar, segundo o Banco Central, já com especulações de que a instituição não teria condições de arcar com a dívida. Além disso, a Fictor não havia comunicado o BC antes do anúncio da compra, algo incomum no setor financeiro.

As notícias seguintes sobre as movimentações de Vorcaro e outros executivos do Master geraram ainda mais abalo na Fictor. O caso mais recente envolvendo o grupo de Rafael Góis aconteceu na semana passada, quando a Justiça de São Paulo determinou bloqueio cautelar de contas da holding financeira e ordenou a recomposição de R$ 150 milhões retirados de uma conta de garantia utilizada por uma empresa de pagamentos que é sua cliente.

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